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Oposição deve estar unida, nas ruas e enfrentar o vácuo de ideias de Bolsonaro com propostas

26/03/2019

Para Boulos e dirigente da CUT, Graça Costa, mais do que nunca é preciso trabalhar a base

Escrito por: Contracs - Luiz Carvalho


Há um abismo que separa o atual momento político daquele vigente no país há quatro meses, quando Jair Bolsonaro foi eleito.

Bastou o presidente que fugiu de todos os debates começar a governar para sua avaliação positiva cair 15 pontos e a nova política que dizia defender desmanchar no ar. As fake news encontraram a realidade das denúncias do envolvimento da família Bolsonaro com milícias e de um esquema de uso de candidatas ‘laranja’ por seu partido. No quartel-general do capitão, Flávio Bolsonaro, o filho, foi acusado de ser beneficiado por recursos desviados pelo ex-assessor, Fabrício Queiroz.

Aliado a tudo isso, o vácuo de ideias do governo sem propostas abre o flanco para que os setores progressistas da sociedade possam retomar a mobilização em defesa de um projeto democrático e popular, como apontou o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, durante a mesa que abriu o segundo dia do 10º Congresso da Contracs.

Boulos defendeu que a unidade (ou ausência dela) no campo da esquerda e a mobilização social serão os diferenciais para o futuro do país.

“Temos consciência de que as diferenças entre nós são infinitamente menores do que aquilo que nos une, que é a luta pela democracia e por direitos, o combate à criminalização dos movimentos sociais, a punição aos que mataram e aos que mandaram matar Marielle e para que não existam mais presos políticos no Brasil. E, portanto, pela liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva”, falou, sob aplausos do plenário. 

Voltar a pisar no barro

Ele ressaltou também que a luta no Congresso não será suficiente para garantir a derrota da reforma da Previdência.

“Temos bancadas que estão bravamente fazendo o enfrentamento no Congresso, mas somos minoria. Hoje, o governo não tem votos para aprovar a reforma, mas o balcão de negócios vai correr solto e parte dos parlamentares é muito sensível a esse tipo de ação. O caminho para barrar a reforma é apostar na mobilização de rua, fizemos isso dia 8 de março e no dia 22. Porém, precisamos de uma oposição que não seja só de hashtag, de colóquio, mas também de ação, iniciativa”, falou.

Para o líder do MTST, assim como já vem sido apontado por diversas lideranças sindicais, aprofundar o trabalho de base neste momento é fundamental para a sobrevivência dos direitos da classe trabalhadora.

“Parte importante das derrotas que sofremos tem a ver com o fato de muitos de nosso campo terem deixado de pisar o barro das periferias, de deixarem de dialogar com categorias. E quando se rompe nosso pacto com povo, não adianta só ir procura-lo quando precisa. Precisamos reestabelecer o vínculo de solidariedade, de humildade, de ouvir as demandas. Fomos deixando o espaço vazio e quando isso acontece, alguém vem e ocupa”, analisou.

Reforma da Previdência é oportunidade

Da mesma maneira que apontaram as lideranças sindicais e políticas na noite anterior na abertura do Congresso, também para Guilherme Boulos o roubo da aposentadoria proposto por Bolsonaro é a grande oportunidade de os movimentos sindical e sociais virarem o jogo. E o coração da medida é a capitalização, que permitirá transferir a gestão das aposentadorias aos bancos. O regime atual, em que trabalhador, empregador e Estado dividem o financiamento da Previdência será substituído pelo modelo em que só o empregado é responsável por uma poupança individual.

“O empresário sabe, se for por regime público, tem de pagar cota, pelo privado, não paga nada. Então, a capitalização não será opção, mas imposição dos patrões para contratar. Sem contar que o modelo atual é justamente para que seja possível sustentar a Previdência, se dois terços do financiamento vem da contribuição em folha, caso os maiores salários migrem para a capitalização, o INSS vai para o brejo. Teremos um modelo que é a realidade atualmente no Chile, implementado pelo sanguinário ditador Augusto Pinochet, ídolo de Bolsonaro, e que 30 anos depois faz com que 80% dos aposentados chilenos ganhem menos do que um salário mínimo”, alertou.

Mas a proposta não é só cruel para o futuro, indicou Boulos. Também é terrível para quem já está aposentado. “Se desatrelarem a valorização da aposentadoria da inflação, como desejam, mesmo quem se aposentou vai ter o benefício corroído. A reforma da previdência coloca em jogo qual futuros queremos, se de solidariedade ou com cada um por si “Se a gente ganhar esse debate, derrota a reforma da Previdência e o governo Bolsonaro.”

Romper o ciclo

Na avaliação da secretária de Relações do Trabalho da CUT, Maria das Graças Costa, é preciso entender o governo Bolsonaro como parte de um ciclo e que todo ciclo tem seu fim.

“É um erro avaliar que tudo está dentro da normalidade. Estamos num processo de golpe, que começou antes de 2016, em 2016 se consolidou contra Dilma, partidos, esquerda e democracia, e que culminou na prisão sem crime do presidente Lula. A nós cabe fazer o processo de formação política, que não dá mais para ser panfletário, com seminário. É necessário um modelo aprofundado, e precisamos tirar daqui uma grande campanha unificada entre as categorias para romper com esse ciclo”, definiu. 

 
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