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Deputado do PSL defende assédio sexual e assedia quem o critica

14/01/2020

Jessé Lopes, 37 anos, é um dos seis deputados estaduais do PSL em Santa Catarina

Escrito por: Paloma Vasconcelos - Ponte Jornalismo

Um deputado estadual usou sua página no Facebook para defender o assédio sexual durante o Carnaval e, nos comentários, assediou mulheres que criticaram a sua publicação.

Jessé Lopes, 37 anos, é um dos seis deputados estaduais do PSL (Partido Social Liberal), antigo partido do presidente Jair Bolsonaro, na ALESC (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). Em sua biografia nas redes sociais, Jessé se declara “pai de família, dentista, conservador, faixa preta de Jiu-jitsu e marrom de Karatê”.

No sábado (11/1), Jessé Lopes criticou a distribuição de tatuagens temporárias com a frase “não é não”, uma campanha contra o assédio sexual no Carnaval. “Não sejamos hipócritas! Quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser ‘assediado(a)’? Massageia o ego, mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude”, diz o deputado no texto.

O deputado ainda afirma no texto que as mulheres já conquistaram “mais direitos que os homens” e que as pautas feministas visam atos extremistas de tirar direitos. Ele cita um exemplo: “O direito da mulher poder ser ‘assediada’ (ser paquerada, procurada, elogiada…). Parece até inveja de mulheres frustradas por não serem assediadas nem em frente a uma construção civil”.

Toda mulher, para o parlamentar, sabe lidar com assédio. Ele afirma que está criticando apenas o assédio no sentido de “dar em cima”, não atos agressivos, pois “crime não se previne e nem se combate com tatuagens”. Jessé finaliza o texto pedindo que as pessoas não colaborem com “este movimento segregador” e que “não usem essa tatuagem ineficiente”,

Na postagem do último domingo (12/1), o parlamentar alega que “feministas pelo Brasil contra a família patriarcal tentam ganhar a opinião pública ‘defendendo’ as mulheres do estupro, do feminicídio e do assédio dos ‘machos escrotos'”.

O deputado ainda disse que irão distribuir em Santa Catarina, “apenas para as mulheres”, adesivos de “não é não” com o “intuito de confundir as pessoas entre o limite do que é assédio e do que é um simples ‘dar em cima’. ele completa a frase dizendo que “logo logo, ser homem será crime”.

Com a repercussão das duas postagens, muitas mulheres criticaram o deputado, que respondeu com mais assédio. “Falta de decoro parlamentar”, dizia um eleitor.

“Eu só consigo sentir muito por todas as pessoas que foram assediadas e leram esse texto. Queria que isso fosse uma sátira apenas”, respondeu uma jovem à publicação de Jessé.

Na sequência, o deputado pegou uma foto dela, escreveu “Nesta foto, não parece que você está muito preocupada com assédio” e completou “Inclusive, você é muito bonita. Parabéns”.

Outro lado
A Ponte procurou o deputado Jessé Lopes por e-mail, mas até o momento de publicação desta matéria não obteve retorno.

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