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O que já era desastroso vai piorar: inflação subirá mais, diz mercado

15/03/2022

Revisão do IPCA vai de 5,65% para 6,45% em 2022. “O governo é o principal causador dessa inflação”, diz economista

Escrito por: Redação CUT

 

 

Do mesmo modo que o Brasil já sofria com os péssimos indicadores econômicos antes da pandemia eclodir em 2020, com desemprego e queda na renda assombrando os brasileiros, agora o país também paga o preço por estar indefeso aos efeitos do conflito na Ucrânia. O quadro de desgoverno é catastrófico: a inflação galopante de dois dígitos sofrerá ainda mais pressão com a recente alta nos preços dos combustíveis, que ainda não refletem os choques externos a partir das sanções econômicas contra a Rússia. Com efeito, o mercado financeiro reviu, pela nona vez, as projeções para a inflação deste ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltou dos esperados 5,65% para 6,45%, de acordo com dados do Banco Central divulgados na segunda-feira (14).
 
Ainda de acordo com o Relatório Focus, houve revisão das taxas de inflação para 2023 e 2024. Para o próximo ano, as projeções apontam variação de 3,51% para 3,70% e, no ano seguinte, de 3,51% para 3,70%. Além disso, o Banco Central também elevou a previsão da taxa Selic de 12,25% ao ano para 12,75%. A taxa atualmente está em 10,75%.
 
Tudo indica que o desgoverno de Bolsonaro ficará mergulhado em um ciclo vicioso cuja receita se resume a inflação pressionada e juros altos, perpetuando um quadro de recessão, desemprego e aumento da pobreza no país.
 

Inflação de oferta

“O que chama atenção no comportamento da inflação é que não é de demanda, até porque a economia brasileira vive um processo de quase estagnação”, explicou o economista e assessor técnico do Senado, Bruno Moretti, em entrevista ao Jornal Rádio PT, na manhã desta terça-feira (15).  ”A inflação é de oferta e guarda forte relação com o desastre econômico do governo na política cambial e, em particular na política de preços de combustíveis, com a Petrobras dolarizando os preços”, alertou Moretti.
 
“O governo é o principal causador dessa inflação, que vem pelo lado da oferta, enquanto a população sofre duplamente, com baixa renda em função do mercado de trabalho desaquecido e com o aumento da inflação retirando o poder de compra dela”, criticou.
 

Revisão da dolarização dos preços dos combustíveis

O economista advertiu para a necessidade de uma revisão urgente da política de paridade internacional dos preços dos combustíveis, a fim de que haja um arrefecimento da pressão inflacionária. “A gasolina, ano passado, foi o item com maior impacto no índice de inflação, mais de dois pontos percentuais”.
 
Moretti ressaltou que a Petrobras refina boa parte do que a economia brasileira consome em derivados de combustíveis. Portanto, insiste, “não há nenhuma necessidade para ela dolarizar os preços de derivados e internalizar no Brasil toda a volatilidade de um mercado que é absolutamente especulativo e cujos preços dispararam, sobretudo após a guerra”.
 
“Uma revisão da política de preços é, repito, plenamente factível, e já teria um impacto muito favorável ao comportamento da inflação e para a renda da população brasileira”.
 
O economista lamentou que a Petrobras, autossuficiente na produção de petróleo, tenha  se transformado em uma empresa a serviço do mercado financeiro, “que obtém elevados lucros no curto prazo, com o aumento do preço do petróleo, e os divide sob a forma de dividendos, especialmente para acionistas privados na Bolsa de Nova York”.
 

Impacto gigantesco para a população

Moretti utilizou os próprios dados divulgados pelo Banco Central nesta semana para desenhar um quadro de gigantesco impacto, a partir do reajuste dos combustíveis, para a população brasileira. Ele citou o exemplo do diesel, cujo aumento de quase 25% terá efeito sobre toda a economia, e não apenas para caminhoneiros.
 
“A economia brasileira, do ponto de vista logístico, é baseada no transporte rodoviário. O impacto do aumento do diesel, portanto, será disseminado para toda a cadeia produtiva”. Ele criticou o governo pela autonomia do Banco Central, cujos burocratas só olham para índices de inflação e esquecem a necessidade de adotar mecanismos para aquecer a economia e gerar emprego e renda.
 
“Com isso, toda vez que o governo erra, quando a Petrobras faz um tarifaço, aumentando os preços dos combustíveis, a inflação se eleva e o Banco Central sobe os juros para colocá-la na meta. Então, a população sofre duplamente: com os preços altos e com os aumentos de juros que encarecem os custos de empréstimos”, elencou.
 

Há solução, Lula já fez

Moretti também condenou com veemência a estratégia Bolsonaro de se esconder atrás do conflito externo para não fazer nada e deixar tudo como está. Ou seja, que a Petrobras, a despeito de ser uma sociedade de economia mista sob controle do governo, continue a ser instrumento de enriquecimento de acionistas estrangeiros.
 
O economista destacou que, nos governos do PT, a empresa priorizava o povo brasileiro, usando a capacidade de produzir e refinar petróleo para proteger a economia de um eventual choque externo. “Quando subia muito o preço lá fora, [o governo] não repassava automaticamente esse aumento”, relatou, lembrando que havia equilíbrio em relação aos preços externos do barril de petróleo.
 

“Do poço ao posto”

Segundo Moretti, era a estratégia da empresa de controlar toda a cadeia de produção que garantia preços justos dos combustíveis nos postos, sem prejuízos às atividades da Petrobras. A política integrada de Lula e Dilma ficou conhecida como “do poço ao posto”, uma atuação verticalizada que vai desde a extração nas jazidas até a revenda dos derivados nos postos.
 
“Uma Petrobras que explora e refina, se perde de um lado, ganha de outro”, explicou Moretti, apontando o que aconteceria se a Petrobras tivesse mantido a política de Lula e Dilma no cenário atual. “Como ela opera em todas as pontas, seria capaz de absorver [os aumentos]”. O economista confirmou que a empresa sempre gerou caixa e não vê justificativa para o desmonte da BR Distribuidora e de refinarias. 
 
“A Petrobras está perdendo essa capacidade de moderar os preços. Com isso, os agentes privados, que não estão integrados, vão praticar preços mais altos, caso da refinaria privatizada da Bahia, que tem os maiores preços do país para determinados derivados”, sentenciou. “É o equívoco de um programa de governo que apostou no fatiamento e privatização da Petrobras e em uma política de preços que só serve  aos acionistas privados”, concluiu Moretti.
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