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Roda de conversa expõe dificuldades e alternativas à juventude sindical

15/08/2016

Com troca de experiências, jovens buscam caminhos para engajar a juventude no movimento sindical

Escrito por: Adriana Franco/Contracs

No final da tarde da última quinta-feira (11), os jovens participantes do IV Encontro Nacional da Juventude do ramo do comércio e serviços se reuniram em uma roda de conversa para uma troca de experiências, que tinha como objetivo encontrar alternativas para o envolvimento e sindicalização dos jovens do ramo.

Rafael Vilela, da Mídia Ninja e do Fora de Eixo, participou da conversa e ressaltou que ambos os movimentos são de resistência e buscam construir uma nova narrativa. Rafael destacou ainda que hoje a lógica de comunicação do movimento social se inverteu: enquanto no passado o movimento enviava release para que a imprensa se interessasse pela pauta, hoje o movimento constrói sua narrativa de tal forma que chame a atenção da imprensa. “A força do movimento de comunicação é que cada um passa a ser um comunicador.” afirma. Para ele, hoje podemos deter o poder comunicativo produzido e difundido pelo próprio movimento.

Negro Davi, jovem do ramo e também ativista, narrou sua experiência militante através do hip hop e de sua participação em rádios comunitárias. Segundo ele, a força do rádio em sua ação militante e dentro de sua comunidade foi decisivo para alcançar muitas coisas. Negro Davi citou como exemplos a eleição de um vereador, a construção de uma caminhada da consciência negra e outras atividades ligadas ao seu sindicato de base.

Outro participante do encontro criticou o vácuo das pautas da juventude nos movimentos sociais e lembrou que a maioria dos jovens escolhem seus estudos a partir de sua vivência do trabalho e não pelo que realmente desejam. Greg pontuou que apesar de parecer que os jovens não querem participar do movimento sindical, isso não é verdade. Segundo ele, os jovens não tem espaço nos sindicatos. “Que seja criada uma política sindical que realmente inclua a juventude através de uma secretaria específica e que tenha peso de voz e voto.” sugeriu.

Zen, da Bahia, rebateu que o sindicato em que atua existe a participação dos jovens, com uma direção renovada com uma visão para a juventude, no entanto, a juventude não se aproxima do sindicato. “A juventude não tem envolvimento político. Mesmo que o sindicato chegue na juventude, ela é fechada ao sindicato devido a influência da mídia.” pontuou. Segundo ele, a relação do sindicato com sua base é boa, mas a juventude segue apartada das questões sindicais.

Edgar alertou que é necessário saber que a juventude não está ligada com partido e político. “Se continuarmos assim não vamos conseguir atrair esta galera.” Ele relatou que durante as manifestações contra o golpe, os jovens não seguiam junto à caminhada apesar de participarem dos atos. Edgar relatou que o envolvimento dos jovens contra o golpe em Porto Alegre se deu de forma autônoma, convocada pela internet e que envolveu os jovens por meio de uma mobilização que bateu lata e grafitou as ruas. Para ele, a forma de organização dos sindicatos precisa mudar para atrair os jovens.

Greg concordou e frisou: “É preciso mudar a forma sindical para atrair os jovens. Os sindicatos fazem política como no século 20 para os jovens do século 21.”

Raimundo, de Brasília, criticou a falácia da renovação: “Todo mundo fala em renovação, mas ninguém quer ceder espaço para os jovens.” O jovem também relatou o processo de aproximação com a base da limpeza urbana e do trabalho sindical, que tem evoluído e atraído os trabalhadores/as. “Quando o dirigente se afasta da base, ele não conhece mais a realidade e não consegue mais convencer o trabalhador ou conhecer suas necessidades. O trabalhador não conhece o dirigente e, portanto, não tem confiança.” avaliou.

Para a jovem Paula, de Guarulhos, os jovens não querem saber da luta porque estão acostumadas com um padrão estável de direitos e de vida e não querem rebaixá-lo.

Zen, da Bahia, concordou. Para ele, a condição de vida garantida por meio de políticas públicas afastou os jovens da política.

Neste sentido, Rafaela pontuou que é preciso pensar em outro jeito de lutar já que os jovens trabalham para ter as coisas, para consumir e ser consumidor.

Para Negro David, as dificuldades enfrentadas pelos jovens ainda são as mesmas e só mudam a época e a realidade. “Houve e ainda há muita dificuldade, mas hoje os jovens não percebem esta dificuldade.” Negro David defende que o sindicato esteja ligado com a base e com a comunidade em que atua para conseguir dialogar e incluir o conceito de classe. “O sindicato pode ganhar o trabalhador de outras formas porque assim você pode atrair ele por outros motivos.”

Edjane lembrou que os jovens e as entidades sindicais não podem apenas discutir as pautas da juventude porque outras pautas também são de interesse dos jovens. “A cota da juventude só existe porque foi pautada.”

Ao finalizar, Rafael Vilela lembrou que a cultura é uma pauta comum e que a militância de hoje é visceral. Ele explicou que cultura é comportamento, o conjunto de crenças e é importante de se reconhecer. O jovem lembrou que toda a América Latina passou por um processo progressista nos últimos 15 anos, mas que este processo está chegando ao fim com a revanche da direita. Para ele, este processo tornou a massa consumidora, mas não fez com que esta massa reconhecesse este processo que a tornou consumidora, demonstrando que o ciclo progressista chega ao fim. “A América Latina toda passa por esse processo e somos nós os responsáveis de retomar este ciclo, pensar ele e torná-lo melhor e mais empoderado. Existe um círculo virtuoso para a gente se preparar para o futuro.” finalizou.

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