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Condições de trabalho, reforma trabalhista e igualdade de gênero foram tema em Oficina das Camareiras

10/08/2017

Contracs apresentou dados da pesquisa sobre condições de trabalho da categoria

Escrito por: Adriana Franco e Marina Maria/Contracs

O último dia da Oficina do Setor Hoteleiro – Condições de Trabalho das Camareiras, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs/CUT), apresentou a pesquisa sobre as condições de trabalho das camareiras no Brasil, realizada com 93 trabalhadoras de todas as regiões do país.

“Esses dados foram coletados nas oficinas e comprovados pela categoria. Pudemos identificar que as camareiras que estão há muito ou pouco tempo na atividade, possuem muitas dores e doenças relacionadas ao trabalho como hérnia, bursite, tendinite, doenças relacionadas aos pés, dentre outros. Eu costumo dizer que a camareira faz mais esforço do que o ajudante de pedreiro, porque ela desenvolve muitas atividades para além de sua função”, explicou o secretário de Relações Internacionais da Contracs, Eliezer Gomes.

O dirigente sindical também destacou os assédios sofridos pela categoria, a pressão a que as trabalhadoras estão expostas, dentre outros fatores que acabam desencadeando transtornos como ansiedade e depressão.

O dirigente do sindicato que representa a categoria no Distrito Federal, Leonardo Bezerra, afirma que existem muitos casos de abuso sexual contra as camareiras. “Muitos atendimentos não se divulga para manter a privacidade das trabalhadoras. No assédio sexual, o cliente acha que a camareira é propriedade dele. Muitas camareiras não falam sobre o que acontece e tem sido bastante reincidente dentro da nossa categoria. Elas veem no sindicalista alguém que ela pode contar e que toma alguma providência em relação a isso”, destaca.

A camareira Graziela Soares (32), que participou do encontro em Brasília, concorda com o dirigente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Restaurantes e Bares do Distrito Federal (Sechosc-DF) .“O sindicato é o defensor da nossa categoria, é o lugar ao qual podemos recorrer”, destaca a trabalhadora. “O assédio moral só atrapalha o nosso rendimento. Esse encontro foi muito importante para nós, é o primeiro evento desse cunho que participo e pretendo ir em outros, pois o conhecimento que ganhamos aqui pode ser empregado em nosso dia a dia”, afirma Graziela.

Igualdade de gênero
Além de apresentar a pesquisa, o evento promoveu intensos debates sobre a igualdade de gênero no mercado de trabalho.

A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) falou sobre a luta feminista e os avanços conquistados pelas mulheres ao longo dos séculos, mas destacou o machismo ainda presente nos dias atuais, ameaçando a liberdade e os direitos das trabalhadoras. “Ainda somos um grupo essencialmente minoritário na política brasileira e, das mulheres que estão no parlamento, muitas foram eleitas pelos maridos ou pais e exercem um mandato por e para eles e não para as mulheres”, afirmou a deputada.

“A vida das mulheres e os movimentos que as mulheres fazem vão deixando uma onda de transformação. As mulheres construíram os movimentos que mais mudaram a vida da sociedade”, explica Érika Kokay, que lembrou também a naturalização das violências que, segundo ela, precisam ser identificadas para serem combatidas, a exemplo da violência doméstica e obstétrica.

“Nessa vida e nesse correr da vida, vi muita coisa que não queria ter visto, mas vi que as mulheres tem muita coragem. Vi uma mulher entrar numa boca de fumo em Sobradinho e buscar seu menino pra casa, vi uma mulher pular num poço fundo pra salvar menino que não sabia nadar e ela mesma sem saber nadar também. Por isso, eu digo que nós precisamos ter consciência da nossa coragem e que ela pode transformar o mundo. Quando a gente coíbe violências, estamos construindo uma sociedade com cultura de paz. A esse que acha que função de mulher é cuidar dos filhos, fiscalizar preços no mercado [referindo-se a Michel Temer], eu digo: cuidado, moço que nós somos mulheres e por sermos mulheres carregamos conosco a coragem e o compromisso de mudar o mundo”, discursou a deputada federal.

Impactos da nova legislação trabalhista
Para abordar os impactos da nova legislação trabalhista no setor hoteleiro e para a classe trabalhadora, os dirigentes sindicais e as camareiras ouviram a doutora em ciências sociais pela Unicamp, Ludmila Abílio, que identifica a reforma como um verdadeiro massacre contra a classe trabalhadora. “Eu destaco três elementos centrais como os mais prejudiciais dessa reforma: terceirização indiscriminada; legalização do trabalho autônomo, onde o Estado está dizendo que as empresas não precisam registrar ninguém, ou seja, desaparecem todos os direitos e transforma os cidadãos em pura força de trabalho. A terceira coisa é o trabalho intermitente, onde o empresário registra e paga por hora, usando trabalhador de acordo com sua necessidade. É um futuro devastador, temos muita luta pela frente”, afirma a doutora.

“Infelizmente a gente enquanto movimentos sociais ainda não conseguimos mostrar para a sociedade o impacto da reforma trabalhista, em parte a nossa dificuldade também se dá em função da mídia”, analisa o dirigente da Contracs e da CUT Brasília, Julimar Roberto.

“Não concordamos com essa reforma e pedimos encarecidamente para que os trabalhadores não esqueçam os deputados e senadores que votaram contra a gente. Porque em 2018 estão todos pedindo voto pra gente aqui. Esse pessoal votou contra você e não podemos admitir que eles voltem. Eles apostam naquele ditado que o povo tem memória curta, então vamos ficar atentos . Temos que levantar e acordar pra luta, mobilizar os trabalhadores que se o povo for pra rua ninguém segura. Só com a mobilização vamos conseguir recuperar os nossos direitos” afirma o dirigente sindical.  

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