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Eleição de Bolsonaro é marcada por incêndio, agressões e ameaças em 5 áreas indígenas

31/10/2018

Atentados aconteceram no dia da eleição e logo após a divulgação do resultado confirmando a vitória da extrema direita

Escrito por: Brasil de Fato - Juca Guimarães


A votação do segundo turno, que culminou na eleição de Jair Bolsonaro (PSL), trouxe momentos de violência e apreensão para cinco comunidades indígenas, que foram alvos de ataques, incêndio e intimidações antes do pleito e logo após. Três dos ataques aconteceram no Mato Grosso do Sul, um em Pernambuco e outro na Bahia.

De acordo com os indígenas do povo bororo, em Dourados (MS), na manhã do domingo, dia 28, eles sofreram o ataque de um grupo paramilitar, que levou pânico à aldeia Jaguapiru-Bororó, que é uma reserva desde a década de 1920. Foram disparados vários tiros de bala de borracha e de bala de gude contra índios que acampavam no local.

“Existe sempre uma tensão em relação a essa questão de reserva, mas o que nos chamou a atenção neste ataque é que é um acampamento que estava em paz há muito tempo. A gente nem tinha muita informação sobre ele porque não havia problemas em relação a ele. E ele foi brutalmente atacado”, disse Matias Rampel, representante local do Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

No tiroteio, dez índios ficaram feridos e 35 barracos do acampamento foram destruídos. De acordo com um dos indígenas que estava lá, e que pediu para não ser identificado, o ataque começou por volta das 6h30 e foram cerca de 30 homens armados.

Em Pernambuco, na madrugada de domingo (28)  para a segunda-feira (29). Foram incendiados uma escola e um posto de saúde da família dentro da área do povo Pankararu, perto da cidade de Jatobá.

De acordo com Daniel Ribeiro, representante do Cimi na aldeia do Bem Querer do Baixo, a área indígena onde aconteceram os incêndios steve em disputa com posseiros por mais de 20 anos.

“Neste ano, em julho, saiu uma decisão, por unanimidade, no Tribunal Regional da 5ª região, concedendo a posse da terra aos indígenas e que ordenou o início do processo de saída dos posseiros, os não-indígenas, da terra”, disse Ribeiro.

Para os índios, o ataque foi uma vingança dos posseiros expulsos pela Justiça. A nota divulgada pela aldeia diz que a destruição foi causada pelo “fogo do ódio, do preconceito e da intolerância”.

Entre 2015 e 2016, segundo Rampel, aconteceram 33 ataques paramilitares a povos indígenas no Mato Grosso do Sul com duas mortes registradas.

A eleição de Jair Bolsonaro, defensor declarado da interrupção das demarcações de terras para indígenas, foi apontada como um elemento fomentador dos ataques contra as comunidades indígenas.

Também aconteceram cenas de intimidação e demonstração de força, como na terra indígena Caarapó, também na região de Dourados (MS) quando, logo depois da apuração, ainda na noite do domingo (28). Rampel afirma que relatos dão conta de cerca de 40 caminhonetes passaram pelo limite das terras demarcadas da aldeia Ñandeva. O evento deixou os indígenas em alerta uma vez que, em 2016, mais de 70 caminhonetes entraram na área atirando. Na época, seis índios ficaram feridos e o agente de saúde indígena Clodiode Aquileu morreu.

Em uma área do povo terena no Mato Grosso do Sul, no município de Miranda, foram disparados tiros para comemorar a eleição do candidato de extrema direita.

“Tiveram disparos comemorativos de fazendeiros no limite da aldeia, sem um foco específico, mas disparando para dentro dela”, disse Rampel.

Os indígenas do povo Tuxá, que vivem perto da cidade de Rodelas, na Bahia, também relataram que foram provocados por fazendeiros da região do vale do rio São Francisco, logo após a confirmação da eleição de Bolsonaro, no domingo (28). Parte da área indígena foi alagada pelo reservatório de uma usina hidrelétrica.

Brasil de Fato entrou em contato com a Fundação Nacional do Índio, a Funai,  para saber quais são as providências que serão tomadas em relação aos ataques. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta oficial.

 

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