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Moro tenta expor a fonte do Intercept Brasil que deu origem à #VazaJato

25/07/2019

As lacunas e contradições de Moro e da operação que prendeu seus “hackers”

Escrito por: GGN

Há várias lacunas e incongruências no que se sabe, até agora, da Operação Spoofing e da tentativa de Sergio Moro de expor a fonte do Intercept Brasil que deu origem à série da #VazaJato. Boa parte da confusão está na cobertura da grande mídia, que às vezes associa os hackers presos e a invasão no celular de Moro aos vazamentos do Intercept, e em outras ocasiões, admite que ainda não há provas desse vínculo.

Mas na tarde desta quarta (24), novas informações foram surgindo.

A “Folha” publicou que o advogado de um dos supostos hackers presos na terça (23) afirmou que seu cliente viu no celular do colega uma mensagem (“de Moro”) obtida de forma ilícita. O suposto hacker Walter Delgatti Neto teria mostrado as mensagens ao DJ Gustavo Henrique Elias Santos. Os dois estão presos em Brasília desde terça (23). Mas Gustavo e sua esposa, Suelen Oliveira, negam participação no suposto esquema.

A narrativa da Polícia Federal – e por isso a operação foi batizada Spoofing – é a de que o suposto grupo de hackers clonou o número de Moro, instalou o Telegram e buscou cópias das mensagens trocadas com os procuradores da Lava Jato.

Mas essa narrativa contraria várias outras informações. Contraria principalmente a autodefesa de Moro em pelo menos em dois pontos:

Primeiro, que o ex-juiz vinha afirmando que a invasão teria sido financiada por uma organização milionária, pois o esquema era sofisticado e, consequentemente, custoso. Falou-se até em hackers russos – o que alimentou a imaginação do “Pavão Misterioso” e claque. Mas depois que a Spoofing foi deflaragada, os jornais “O Globo” e “Folha” ouviram da PF que, na verdade, o “grau de capacidade técnica dos hackers não era alto”. Tanto que foram facilmente rastreados.

Mais importante: Moro também disse que excluiu o Telegram e perdeu o histórico de conversas em 2017. O “UOL” fez uma reportagem expondo detalhadamente como funciona o processo de recuperação de mensagens no aplicativo. É praticamente impossível recuperar as mensagens apenas reinstalando o Telegram dois anos depois de tê-lo excluído. O sistema destrói automaticamente os arquivos após um intervalo de inatividade, que varia de seis a 12 meses. Os arquivos de Moro estariam, portanto, perdidos.

A mesma reportagem do UOL conclui, aliás, que o material do Intercept não parece fruto de hacker desconhecido, mas de alguém que participou ativamente dos chats e teve como recuperar as mensagens. Ou seja: não foi hacker, foi fogo amigo. Ou algo muito próximo disso.

A “Folha” publicou, também na tarde desta quarta (24), a explicação da PF de como foi a invasão por meio de Spoofing, mas não informou se o histórico de conversação de Moro teria sido acessado.

Essa informação ainda não existe, nada foi confirmado, mas ela se alastra como se fosse senso comum, muito por conta da postura de Moro e dos procuradores da Lava Jato, que estão há mais de um mês martelando que o hacker teve sim acesso a conversas antigas, e vazou tudo ao Intercept (e quando a coisa fica feia, é claro, é porque ele adulterou o conteúdo antes).

Se os hackers recuperaram o histórico na invasão do celular de Moro, o ex-juiz então fez afirmações equivocadas no Congresso, pois lá ele sustentou que nada foi obtido pelos invasores no ataque do dia 4 de junho.

Diante de todas essas informações cruzadas, é de se perguntar qual o sentido da declaração antecipada do advogado (o depoimento oficial do suposto hacker e da companheira ainda não havia sido tomado pela PF quando o defensor resolveu se manifestar), sobre o cliente (o DJ) ter visto uma mensagem “de Moro” (essa afirmação é da Folha) no celular do colega, que também foi preso?

Os candidatos à delação “premiada”

A “Folha” também divulgou na tarde desta quarta outra informação que chama atenção: a de que o juiz Vallisney de Oliveira, que autorizou as diligências da Operação Spoofing, viu “fortes indícios” de associação criminosa entre os quatro hackers presos.

E o destaque ficou para a movimentação financeira considerada suspeita, por parte do DJ e de sua companheira – curiosamente, os primeiros que começaram a colaborar com a narrativa da PF por meio do advogado.

Trabalhadores assalariados com rendimentos na casa dos R$ 2 mil, ambos os suspeitos teriam movimentado, em curto período de tempo, recursos incompatíveis com o que ganham. A mulher, mais de R$ 400 mil de abril a junho de 2018), e o DJ, R$ 200 mil em intervalo semelhante, mas entre abril e maio de 2019.

Na casa do DJ, R$ 100 mil em espécie também foram encontrados. O advogado afirmou à “Folha” que o dinheiro é fruto de “negócios com bitcoins”.

Usando a régua da Operação Lava Jato: se essas operações financeiras com bitcoin, de fato, são irregulares, a PF já encontrou um bom motivo para fazer o casal “colaborar” o quanto antes.

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