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Cresce a exclusão de jovens do emprego e da formação

10/03/2020

Jovens enfrentam um futuro incerto no mercado de trabalho devido à automação, ao foco limitado de boa parte da formação profissional e à falta de empregos que atendam às suas qualificações

Escrito por: OIT Notícias

GENEBRA (OIT Notícias) - O número de jovens que não trabalham, não estudam nem recebem treinamento ("Nem-Nem” ou “NEET”, em inglês) está aumentando e as mulheres enfrentam mais que o dobro de chances de serem afetadas do que os homens, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Jovens (entre 15 e 24 anos) que estão empregados e empregadas também enfrentam um risco maior do que as trabalhadoras e os trabalhadores mais velhos de perder o emprego por causa da automação e aqueles com treinamento profissional são particularmente vulneráveis, destaca o relatório.

"Isso reflete como as qualificações adquiridas por meio de treinamento profissional voltado para obtenção de um emprego específico tendem a se tornar obsoletas mais rapidamente ... do que as adquiridas em programas de educação geral", afirmou o relatório. Isso requer que os programas de treinamento profissional sejam revisados e modernizados para que atendam às novas demandas da economia digital.

A mais recente edição do relatório intitulado em inglês Global Employment Trends for Youth 2020: Technology and future of Jobs (GET Youth 2020, ou " Tendências Globais para o Emprego Juvenil 2020: a tecnologia e o futuro dos empregos ) mostra que, desde a edição anterior o relatório GET Youth divulgado em 2017, houve uma tendência de alta em relação ao número de jovens “Nem-Nem”. Em 2016, haviam 259 milhões de jovens classificados como “Nem-Nem”, número que, em 2019, foi estimado em 267 milhões e espera-se que continue aumentando até atingir 273 milhões em 2021. Em termos percentuais, a tendência também está aumentando, passando de 21,7% em 2015 para 22,4% em 2020. Essa tendência indica que a meta estabelecida pela comunidade internacional para reduzir substancialmente a taxa de jovens “Nem-Nem” até 2020 não será alcançada.

“Não estão sendo criados empregos suficientes para esses jovens [...] Não podemos desperdiçar esse talento ou esse investimento em aprendizado, se quisermos enfrentar os desafios impostos pela tecnologia, pelas mudanças climáticas, pela desigualdade e pela demografia."

Sukti Dasgupta, Diretora da Divisão de Políticas de Emprego e Mercado de Trabalho do Departamento de Políticas de Emprego da OIT

Em todo mundo, existem 1,3 bilhão de jovens, dos quais 267 milhões são "Nem-Nem". Dois terços deles, ou seja, 181 milhões, são mulheres.

"Muitos jovens em todo o mundo estão desconectados da educação e do mercado de trabalho, o que pode prejudicar suas perspectivas a longo prazo, além de prejudicar o desenvolvimento socioeconômico de seu país", disse Sangheon Lee, Diretor do Departamento de Políticas de Emprego da OIT. Ele acrescenta: “Mas as razões pelas quais esses jovens se tornam “Nem-Nem” são extremamente variadas. O desafio será equilibrar a abordagem flexível necessária para alcançar esses e essas jovens com fortes políticas e ações necessárias para mudar a situação. Uma solução única para todos não funcionará ".

O relatório GET Youth 2020 mostra que aquelas e aqueles jovens que concluem o ensino superior têm menos probabilidade de serem substituídos pela automação no trabalho. No entanto, enfrentam outros problemas, uma vez que o rápido aumento do número de jovens com diploma no mercado de trabalho superou a demanda por mão de obra com formação superior, e, consequentemente, resultou em uma redução salarial para esse tipo de emprego.

“Não estão sendo criados empregos suficientes para esses jovens, o que significa que o potencial de milhões de pessoas não está sendo aproveitado adequadamente", disse Sukti Dasgupta, Diretora da Divisão de Políticas de Emprego e Mercado de Trabalho do Departamento de Políticas de Emprego da OIT. "Não podemos desperdiçar esse talento ou esse investimento em aprendizado, se quisermos enfrentar os desafios impostos pela tecnologia, pela mudança do clima, pela desigualdade e pela demografia. Precisamos de estruturas de políticas integradas e de sistemas de treinamento responsivos, projetados com base no diálogo entre governos, trabalhadores e empregadores”.

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