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Carrefour tenta afastar receios no Brasil, mas rombo causará dano

01/01/2011

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Operação brasileira era considerada uma das mais promissoras para o grupo francês e agora virou problema, dizem analistas

"O Brasil é um mercado prioritário, em que temos uma posição de liderança e confiança na equipe", afirmou hoje o presidente do Carrefour na França, Lars Olofsson, em conferência com investidores.

Com essas declarações, o principal executivo da multinacional francesa tenta dissipar as nuvens que se formaram sobre as operações brasileiras, após a companhia divulgar que encontrou discrepâncias contábeis no valor de R$ 1, 2 bilhão (550 milhões de euros) em sua subsidiária, com sede em São Paulo.

Fontes consultadas pelo iG avaliam que o rombo descoberto pelo Carrefour não deve mudar o dia a dia dos negócios, mas, com certeza, jogou por terra o prestígio que antes o País possuía para a multinacional francesa.

A operação brasileira, ao lado da chinesa, era considerada uma das mais rentáveis e promissoras para o Carrefour. E, justamente porque o Brasil era um dos mercados com grande potencial de crescimento, os acionistas do Carrefour até consideraram vender os negócios no País em 2009, para levantar caixa.

Hoje, ao contrário, após a descoberta do rombo, os ativos com certeza já não valem mais o que valiam antes para os possíveis compradores, diz um conceituado especialista em fusões e aquisições que pede para não ser identificado. Se fosse vender os negócios no Brasil, os acionistas também não receberiam mais as mesmas somas, já que os recursos teriam de cobrir as divergências encontradas na contabilidade no País.

Segundo comunicado divulgado pelo Carrefour, as investigações estão em curso e permitirão determinar a existência de possíveis responsabilidades.

Segundo a companhia,  nos últimos cinco meses, sob a direção do executivo Luiz Fazzio, o Carrefour Brasil consolidou as seguintes ações:

- Estruturação da equipe comercial da empresa, com a contratação de executivos do mercado nacional e internacional bem como a implementação de novas ferramentas de gestão;
- Revisão dos procedimentos internos com a utilização de novas sistemáticas de controle, seguindo as novas políticas de governança corporativa do grupo;
- Expansão acelerada do Atacadão com a abertura de sete novas unidades e transformação de um Hipermercado localizado em São Miguel (SP) em Atacadão, garantindo a adequação do formato às oportunidades da região. Inauguração de um hipermercado Carrefour em Belo Horizonte.
- Geração de mais de 2.500 novos empregos diretos no período

"Essas ações implementadas nos últimos 5 meses aliadas às medidas corretivas identificadas e a uma estratégia de crescimento consistente asseguram o cumprimento dos objetivos de expansão previstos para o ano de 2010 e 2011", informa a companhia.

Lições do McDonalds
Um analista avalia, contudo, que, depois de verificadas as perdas contábeis, é provável que os acionistas do Carrefour terão de pensar duas vezes antes de continuar investindo grandes somas em sua rede de hipermercados e supermercados no Brasil;

Por se tratar de um ajuste contábil, as perdas registradas neste ano não deverão afetar diretamente o fluxo de caixa dos negócios, avalia uma fonte. O Carrefour não vai quebrar de um dia para noite, acrescenta. Mas rombos contábeis podem ter grandes efeitos.

Entre os motivos que levaram o McDonald’s, por exemplo, a vender suas operações na América Latina para um máster franqueado estavam os prejuízos contábeis acumulados, parte deles devido às mudanças no câmbio no Brasil, que obrigaram o grupo a reavaliar os seus ativos.

Comunicado
Na França, o Carrefour divulgou um comunicado, com a data de 30 de novembro, em que afirma que a auditoria externa realizada na subsidiária brasileira foi concluída e que as despesas não-recorrentes chegarão a 550 milhões de euros em 2010. Inicialmente, o Carrefour acreditava que esses gastos poderiam ser de 180 milhões de euros (R$ 180 milhões). A auditoria foi conduzida pela KPMG. “Essas despesas são compostas principalmente por depreciação e ajustes de estoques, provisões para litígios trabalhistas e fiscais, verbas não recuperáveis de fornecedores e depreciação de ativos tangíveis”, informa o comunicado do Carrefour.

Fonte: Ig/Claudia Facchini

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