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Aposentada negra acusa hipermercado de racismo

01/01/2011

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A passagem pelo mercado era para ser rápida. A aposentada negra Clécia Maria da Silva, de 56 anos, ia comprar  apenas pães para o lanche. Mas aproveitou uma oferta e levou também pés de botijão de gás. Passou logo pelo caixa e já estava no estacionamento quando um homem truculento, vestindo terno escuro, a puxou pelo braço e disparou: "Abra a sacola. Quero ver o que você pegou". Atônita, não conseguiu falar nada. Apenas esticou os braços. Ele remexeu o pacote e, ao ver a nota fiscal, largou a mulher e disse. "Tudo bem. Pode ir." Clécia passou mal e chegou ao hospital à beira de um acidente vascular cerebral (AVC).

O fato aconteceu em 16 de fevereiro, no Walmart da Avenida dos Autonomistas, em Osasco. O homem que a revistou era Carlos Cerqueira dos Santos, segurança do hipermercado. Ele nega ter agido com truculência e acusado Clécia de ladra. Mas duas testemunhas - uma delas padeiro do estabelecimento -, ouvidas no 9 Distrito de Osasco, onde foram registrados o boletim de ocorrência 194/2011 e o inquérito 066/2011, confirmam.

"Muitos funcionários me conhecem por nome e eu os considerava pessoas da família. Isso é o que me deixa mais indignada. Fazia compras lá há anos e chegava a gastar R$ 1.800 por mês", diz Clécia, que ainda faz tratamento de saúde e ficou com medo de sair de casa.

Em nota, a assessoria do Walmart diz que não comenta fato "sob judice". Mas adianta que a empresa repudia, "veementemente",  qualquer ato de desrespeito e discriminação e que a rede tem política de apoio à diversidade, respeita todas as pessoas, em todos os lugares, independente de cor, raça, idade, credo e classe social.

Clécia passou mal e precisou ser levada de ambulância ao Hospital Montreal, em Osasco. Segundo ela, nem um copo de água o mercado ofereceu.

ACAREAÇÃO
Segundo o advogado de Clécia, Dojival Vieira dos Santos, o segurança foi identificado pelas testemunhas e por sua cliente e será submetido a acareação (vai depor diante da vítima). "O funcionário que viu a cena ficou tão indignado que, mesmo sabendo que corre risco de ser demitido, fez questão de depor a favor da cliente", comenta.

Santos diz que entrou com representação na Justiça para que o acusado, além de responder por crime de calúnia, seja responsabilizado também por injúria racial e constrangimento ilegal. O advogado também requisitou a gravação do circuito interno do estabelecimento para anexá-la ao inquérito.

3 anos é a pena máxima para esses crimes
Advogado aponta resquícios da época medieval

Para o advogado Dojival Vieira dos Santos, discriminação racial é resquício da idade medieval, que ainda permanece na cultura da população como herança da época da escravidão.

Outros casosAgressores de segurança vão responder por tortura

Em fevereiro, cinco segurança do Carrefour de Osasco foram indiciados por crime de tortura. Eles espancaram o segurança Januário Alves de Santana ao confundi-lo com um ladrão. O Carrefour reconheceu o erro dos seguranças e indenizou Januário de Santana antes que ele fosse à Justiça. Para a vítima, isso não o fará desistir de lutar por justiça e igualdade.

Fonte: Diário SP e assessoria de imprensa da Secor / Raquel Duarte

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