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Pauta empresarial está mais intensa no governo e na mídia, diz CUT

01/01/2011

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Central Única dos Trabalhadores (CUT) realiza Dia Nacional de Mobilização para tentar ampliar espaço da agenda de interesse dos trabalhadores na pauta do governo e da mídia. Para entidade, agenda empresarial estaria colocada com mais intensidade e seria dominante. Manifestantes farão passeatas e panfletagens em todo o país para pedir redução da jornada de trabalho, reforma agrária, mais dinheiro para educação e criticar privatização de aeroportos. "Não adianta discutir só crescimento. Queremos discutir desenvolvimento", diz o presidente da CUT, Artur Henrique, em entrevista exclusiva à Carta Maior.

BRASÍLIA – Movimentos sociais liderados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) realizam nesta quarta-feira (06/07) uma série de atos em todo o Brasil no Dia Nacional de Mobilização. Haverá paralisação em empresas, passeatas de grevistas e panfletagens, entre outras ações. O objetivo é chamar a atenção das pessoas para a necessidade de o país discutir questões de interesse dos trabalhadores que entrariam de forma tímida na pauta – quando não estariam fora dela - do governo e da mídia. “É a nossa tentativa de colocar a agenda dos trabalhadores e dos movimentos sociais na mesma intensidade das questões empresariais”, afirma o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos.

Os parceiros da empreitada cutista serão o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Via Campesina, a Central de Movimentos Populares e a Marcha Mundial das Mulheres. As idéias que vão defender são variadas. Há temas puramente sindicais, como o fim do imposto sindical e a redução da jornada de trabalho para 40 horas. São dois assuntos que dependem do Congresso e nos quais o governo Dilma não pretende se envolver para não criar problemas com aliados sindicais e patronais.

Também reinvindicarão dobrar para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) os investimentos públicos em educação - o Plano Nacional de Educação que está em tramitação na Câmara dos Deputados, proposto pelo governo, eleva para 7% do PIB. Pedirão a continuidade da reforma agrária, para a qual o governo Dilma não definiu, até agora, se haverá – e quais seriam – metas anuais.

Vão propor ainda o fim das doações de empresas privadas em campanhas políticas, o que depende de uma reforma que está em debate no Congresso há muitos anos. E criticar a decisão do governo de privatizar aeroportos. “Na verdade, o que queremos é um novo modelo de desenvolvimento parta o Brasil. Não adiante discutir só crescimento. É preciso discutir qual crescimento e para quem”, diz Artur Henrique.

A seguir, o leitor confere trechos de entrevista exclusiva concedida pelo presidente da CUT à Carta Maior.

A agenda que vai ser defendida na mobilização parece mais à esquerda do que temos visto por aí. É por falta de quem a defenda no cenário político?
Não é que seja uma agenda mais à esquerda, é a nossa tentativa de colocar a agenda dos trabalhadores e dos movimentos sociais na mesma intensidade das questões empresariais. A agenda empresarial, que só fala em obras de infra-estrutura, Copa do Mundo, competitividade, aparece com muita intensidade na mídia e no governo, enquanto a nossa pauta fica em segundo plano. Queremos uma agenda que tenha mais a ver com desenvolvimento do que com crescimento.

Está faltando diálogo com o governo para colocar essa agenda ou vocês acham que na política é preciso pressionar sempre?
Temos hoje uma mesa permanente de negociação na Secretaria Geral da Presidência que não tinha nos oito anos do governo Lula e isso é muito positivo. Mas assistimos a um certo descompasso. A mesa existe mas a vida continua a mesma... Às vezes, estou numa reunião com o [ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência] Gilberto Carvalho, aí abro um jornal e vejo uma notícia de que o governo está pensando em fazer uma nova política industrial e nós não tivemos nem chance de participar do debate.

Qual o senhor considera o item mais importante dentre todos os pontos da agenda da mobilização?
Acho que o mais importante é o conjunto. Nossa agenda está dividida em três eixos. Temos o eixo da educação, no qual a gente pede que sejam investidos 10% do PIB. Um novo modelo de desenvolvimento exige muito investimento em educação. No eixo da “alimentação”, precisamos de mais reforma agrária, combate ao trabalho escravo... E não queremos continuar sendo só um país exportador de commodities, temos de fortalecer a agricultura familiar de forma mais ousada do que nos últimos anos. E no eixo mais sindical, defendemos o fim do imposto sindical, mais e melhores empregos, mais trabalho decente...

A mobilização fará uma pregação contra a privatização de aeroportos anunciada pelo governo. Por quê?
Somos a favor de atrair capital privado para ampliar os investimentos nos aeroportos, para melhorar a qualidade dos serviços e para reduzir tarifas, já que a população está viajando mais. Mas somos contra a privatização. Não concordamos com o modelo em que o Estado abre mão do controle dos serviços públicos. Temos exemplos catastróficos disso, como a Eletropaulo em São Paulo. Defendemos que a Infraero tenha 51% dos aeroportos e o setor privado 49%, e não o contrário.

Por que o senhor participará do Dia da Mobilização no Pará?
É uma decisão simbólica de fugir do eixo Rio-São Paulo-Brasília para mostrar que não podemos continuar com um modelo de desenvolvimento em que dirigentes sindicais do campo são assassinados e os movimentos sociais são criminalizados. Na verdade, o que nós queremos é isso: um novo modelo de desenvolvimento para o país. Não adianta a gente ficar discutindo só crescimento. Queremos discutir qual crescimento e para quem.

Fonte: Carta Maior / André Barrocal

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