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EUA correm o risco de uma crise maior do que a de 2008

01/01/2011

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Em entrevista a Terra Magazine, Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central brasileiro, traduz as consequências do impasse entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e os adversários republicanos. Para o especialista, caso os oponentes não cheguem a um acordo a respeito do teto da dívida do país, a economia norte-americana pode viver "recessão maior do que a de 2008", quando o país desencadeou uma crise global.

Para manter suas contas em dia, o governo Obama propôs um aumento do teto da dívida, atualmente em US$ 14,3 trilhões - valor alcançado em maio deste ano. Os republicanos oferecem como solução, um corte de gastos do governo e Obama defende o aumento de impostos sobre os mais ricos.

O economista aposta no meio termo entre as duas propostas. No entanto, adianta que os republicanos vão estressar os limites de prazos impostos pelo governo para obterem algum ganho com as negociações. "Eu acho que vão chegar a um ponto comum: cortar um pouco de gastos, talvez gastos militares, e aumentar alguns impostos sobre os ricos. Porque realmente não há alternativa para equilibrar o orçamento".

Confira o que disse o ex-diretor do BC:

Terra Magazine: Obama ainda não conseguiu acordo com os republicanos. O que a atual situação da dívida dos EUA significa para o país?
Carlos Thadeu de Freitas: Eles vão chegar a um acordo porque não há alternativas a não ser o acordo. Quando vencer a dívida, o país não poderá pagar e, sendo assim, o preço dos títulos caem muito e rapidamente, o que seria um prejuízo geral para todos os detentores de títulos do Tesouro americano. Os EUA terão que pagar mais caro para captar recursos, os juros subirão também rapidamente...

Terra Magazine: Os EUA ainda vivem os resultados da crise de 2008...
CTF: Hoje, EUA é um país que vive uma recessão, com desemprego alto. Caso não haja acordo, haverá uma recessão maior do que a de 2008. Por isso, acredito que haverá um acordo. Ambos os partidos estão sentando à mesa para negociar. O Republicano vai segurar até o fim para obrigar Obama (do Democrata) a cortar despesas do orçamento.

Terra Magazine: Obama apresenta como solução o aumento de impostos sobre os mais ricos. O que o senhor acha desta possibilidade?
CTF: Aumentar os impostos dos mais ricos é a única saída. Não dá pra aumentar os impostos sobre os mais pobres, porque estão desempregados.

Terra Magazine: Já os republicanos acreditam que a solução está no corte de gastos do governo. O que o senhor acha? Haveria um meio termo?
CTF: Eu acho que vão chegar a um ponto comum: cortar um pouco de gastos, talvez gastos militares, e aumentar alguns impostos sobre os ricos. Porque realmente não há alternativa para equilibrar o orçamento. Acredito que o partido Republicano vai ganhar alguma coisa. Obama vai ceder e cortar alguma despesa que ele não está querendo cortar hoje. Os dois lados vão acabar cedendo.

Terra Magazine: Os EUA podem quebrar?
CTF: Não é uma questão de quebrar. É uma questão de isso não poder acontecer de jeito nenhum. Tanto Obama quanto os republicanos sabem que o mundo financia os EUA com mais de US$ 30 bilhões, porque o dólar é a moeda reserva. A hora que os EUA não pagarem a dívida, ninguém vai querer guardar dólar, mas Euro, Real...

Terra Magazine: E o dólar vai cair?
CTF: Isso, o dólar vai cair muito, será desvalorizado. Quem guarda dólar está financiando o déficit norte-americano. Assim, diante de um calote, isso vai acabar, os países vão acabar com esse financiamento.

Terra Magazine: O Brasil está entre os países que têm papeis da dívida dos EUA. O que um eventual calote significa para nós?
CTF: Um calote não vai acontecer. Mas se acontecer, seria uma perda, os títulos cairiam de preço. Para o brasileiro médio, a alta dos juros seria um problema. Ou seja, o mundo todo sairia perdendo.

Fonte: Vermelho

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