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CUT diz a Dilma que ela deve ser líder na crise e BC vai na contramão

01/01/2011

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Na primeira audiência exclusiva da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) com Dilma Rousseff, presidenta ouve que precisa fazer como Lula em 2008 e defender mercado interno, salário e papel do Estado. Para Artur Henrique, presidente da entidade, alegação do Banco Central de que salário seria inflacionário contraria discurso anti-recessivo de Dilma.

BRASÍLIA – A presidenta Dilma Rousseff deveria exercer a mesma liderança que o ex-presidente Lula teve na crise financeira internacional de 2008 e, neste momento difícil da economia mundial, defender o mercado interno, o salário dos trabalhadores e o papel indutor do Estado. O pedido foi feito a ela própria, nesta quarta-feira (17/08), pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos.

Na primeira audiência exclusiva com Dilma, o sindicalista relatou sua preocupação com posição recente do Banco Central (BC), de que salário seria um “risco muito importante” para a inflação no Brasil hoje.

“Comecei a reunião elogiando a declaração da presidente de que o governo não vai adotar medidas recessivas contra a crise”, contou Artur Henrique à Carta Maior, após o encontro no Palácio do Planalto. “Depois, disse que essa fala não combina com o que o BC disse num relatório, que salário causa inflação.”

A postura do BC incomoda a CUT porque uma série de categorias profissionais terá negociações coletivas neste semestre, e os empresários podem querer usar o argumento do Banco Central para resistir e propor aumentos menores. “Estamos na boa fase de pegar uma parte dos lucros das empresas. Todo mundo está ganhando dinheiro”, disse Artur Henrique.

E o que a presidente respondeu, quando o senhor falou sobre a crise?, perguntou a reportagem. “Repetiu que não vai adotar medidas recessivas.” Nada sobre o Banco Central? “Nada.”

Independentemente da resposta, para a CUT, o mais importante foi ter tido a chance, depois de oitos meses de governo, de expor à presidenta, frente a frente, sem intermiediários, tudo o que a entidade pensa sobre rumos do país e questões estratégticas, como o enfretamento das turbulências.

Artur Henrique andava incomodado com o que sentia ser uma certa preferência de Dilma e equipe pelo diálogo com empresários. Havia reclamado publicamente, em entrevista à Carta Maior, por ocasião de uma dia de mobilização nacional da CUT, planejado justamente para tentar botar a agenda dos trabalhadores numa praça pública mais afeita à agenda empresarial.

O gesto mais forte de contrariedade foi o boicote ao lançamento do pacote de apoio à indústria sem negociações conclusivas com os trabalhadores. A CUT acha que o governo tinha lhes tirado a oportunidade de arrancar “contrapartidas sociais” dos empresários, algo que também foi dito a Dilma nesta quarta-feira.

“Quando o governo faz concessões aos empresários, quando bancos públicos emprestam com juros menores, as empresas têm que ter responsabilidade e assumir compromissos com negociação coletiva, acordos coletivos”, afirmou o sindicalista. E a presidenta, acha o quê? “Ela concorda que precisa ter metas [contrapartidas].”

Segundo um participante da audiência da direção da CUT com Dilma, a presidenta aparentou estar muito interessada, especialmente quando Artur Henrique falava da necessidade das contrapartidas. Nessa hora, pedia exemplos do que poderia ser feito e de empresas que estariam desmerecendo concessões recebidas.

Ouviu relato de casos de empresas, inclusive renomadas, que pegam dinheiro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e tornaram-se réus na Justiça, por desrespeito a direitos trabalhistas ou perseguição a sindicalistas, por exemplo. Nessa hora, segundo o participante, Dilma teria anotado tudo, com nomes, para tomar providências depois.

Fonte: Carta Maior / André Barrocal

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