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Dia da Consciência Negra é marcado por novidades no Censo

01/01/2011

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Domingo, 20 de novembro, é o Dia da Consciência Negra. Instituído na década de 1960, o dia existe para chamar a todos e todas para refletirem sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, aproveitando a data do dia de morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695. Zumbi liderou e conscientizou a comunidade de escravos fugidos das Américas

No Brasil, a data é marcada por ações de movimentos negros, sociais e sindicais, com o objetivo de mostrar para o país quem foi esse grande herói da libertação dos povos escravizados. Segundo o professor de história Chico Alencar, Zumbi fez muito mais pelos negros do que a Princesa Isabel, pois organizou sua gente e por quase 100 anos defendeu, ele e seus sucessores, o Quilombo dos Palmares. Dessa forma, se tornou o mártir da luta do povo negro pela liberdade.

O Brasil é o país com a maior população negra fora da África. São cerca de 80 milhões de negros espalhados por todo o território nacional. Apesar disso, o negro ainda está fora de setores de destaque no mercado de trabalho. Em universidades, cargos de chefia ou empresas ainda impera a presença caucasiana.

Sem vergonha de se declarar negro

Na contramão do racismo, que ainda assombra a sociedade brasileira, uma transformação política se verifica: nos últimos dez anos mais gente quis se declarar negra, passando de 6,2 para 7,6, segundo indicadores do Censo 2010, por meio do Mapa da População Preta & Parda no Brasil, divulgado no último dia 14.

Os números mostram que a população afro-descendente, hoje, se sinta mais valorizada socialmente e esteja mais à vontade para assumir sua cor verdadeira numa pesquisa como a do Censo, promovida a cada dez anos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Das que se declararam pardas, o percentual saltou de 38,5% para 43,1% no mesmo período.

De acordo com Mapa, elaborado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os negros (grupos de pessoas de cor preta e parda) representam a maior parte da população de 56,8% dos municípios brasileiros. Um aumento de 7,6 pontos percentuais em relação ao levantamento de 2000, quando o número estava em 49,2%.

E mais: Em 1.021 cidades brasileiras, mais de 75% da população se declararam negras.

Em 2010, cerca de 91 milhões de pessoas classificaram-se como brancas, 15 milhões como pretas, 82 milhões como pardas, 2 milhões como amarelas e 817 mil como indígenas.

De acordo com o levantamento de 2010, São Paulo é a cidade com maior número de pretos e pardos em todo o país, com cerca de 4,2 milhões, seguido do Rio de Janeiro (cerca de 3 milhões) e Salvador (cerca de 2,7 milhões).

Desemprego

Outra pesquisa, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) no último dia 7, indica um ponto negativo: a taxa de desemprego é maior em cidades onde a maioria da população é formada por negros.

Coordenado pelo economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, o estudo dissociou a questão de escolaridade do desemprego, mostrando que a falta de trabalho tem relação com a cor, sem relação obrigatória com os anos de estudo.

Segundo dados da pesquisa, enquanto a taxa de desemprego em Salvador chegava a 14,2%, em Porto Alegre o desemprego era 6,8%. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) de 2009, citada no trabalho, na Bahia 30% da população são formados por pretos e 53% por pardos. No Rio Grande do Sul, os brancos são 80%, 7% são pretos e 10,8% pardos.

Porém, o estudo não deixa claro se o maior desemprego entre negros pode estar associado ao racismo. Seria preciso outra pesquisa para aprofundar a questão. Também deve se levar em conta as estruturas econômicas de cada região.

40% menos por hora de trabalho

Nesta sexta-feira, dia 17, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgaram pesquisa que aponta negros recebendo por hora, uma média de apenas 60,4% do valor total pago às demais camadas populacionais. A pesquisa Negros no Mercado de Trabalho da Região Metropolitana de São Paulo mostra que um negro ganha em torno de R$ 5,81 por hora trabalhada, enquanto pessoas de outras etnias recebem R$ 9,62 pelo mesmo período de trabalho.

O principal motivo dessa desigualdade é que a inserção dos negros no mercado de trabalho se dá, na maioria das vezes, nas ocupações menos especializadas e pior remuneradas. Em 2010, 10,8% da população negra economicamente ativa trabalhavam como empregados domésticos. Brancos e amarelos representam apenas 5,7% da categoria.

Na construção civil, 8,8% são negros. Segundo a pesquisa, são setores em que há mais postos de trabalho com menos exigências de qualificação profissional, menor remuneração e relações de trabalho mais precárias.

O serviço público absorve uma proporção maior de ocupados não negros (8,4%) do que de negros (6,2%). O fato de ser uma carreira que requer a aprovação em concurso público mostra, de acordo com a pesquisa, a falta de acesso dos negros ao ensino de qualidade.

A diferença também é verificada no grupo de profissionais autônomos de nível universitário e donos de negócios familiares. O percentual de negros ocupados nessas atividades é 3,9%, contra 9% entre os não negros.

A CONTRACS/CUT defende a igualdade de direitos, o combate ao racismo e à exclusão social. Portanto primamos por salário igual para trabalho igual e pela inclusão de negros e negras em cargos de chefia. Além disso, lutamos por melhores condições de vida, saúde, educação pública de qualidade, saneamento básico etc.

Esperamos que nesta data todos e todas possam refletir sobre as formas de denunciar e combater o racismo e outros tipos de discriminação.

Escrito por Patrícia Ferreira, com informações da Agência Brasil

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