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No Ano Internacional dos Afrodescendentes, CUT protagoniza luta contra discriminação racial e social

01/01/2011

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Celebrando o Dia da Consciência Negra, Central realizou neste sábado (19) Oficina em Salvador

Militância mobilizada: fundamental para avançar no combate ao racismo, avalia JuliaEscolher a cidade de Salvador para realizar a Oficina da Secretaria de Combate ao Racismo no mês da Consciência Negra revela mais uma vez o comprometimento da CUT com a história e o simbolismo desta localidade, resgatando as origens da matriz africana no Brasil.

Este fato se torna ainda mais importante quando levado em consideração que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 2011 como o Ano Internacional dos afrodescendentes. “O Brasil começa em Porto Seguro. Nós somos a maior cidade negra fora da África. Aqui existe uma proposta política de combate ao racismo tanto no governo de Estado como em âmbito municipal. Mais importante do que isso: nós temos um movimento social atuante e profundamente comprometido com a superação da discriminação e com a promoção da dignidade humana. Fazer este Seminário aqui é o reconhecimento do nosso protagonismo”, enfatiza Martiniano Costa, presidente da CUT-BA.

A CUT Estadual realizou neste mês uma série de atividades e participa neste domingo, 20 de novembro, quando é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, de duas caminhadas na capital baiana e de outras atividades pelo interior.

“Importante essas atividades na Bahia, construindo a reflexão e o debate sobre a temática no enfrentamento da discriminação como um todo”, resume Pedro Barbosa, o Peu, secretário estadual de Combate ao Racismo da CUT,

Já a CUT Nacional, além de participar das atividades organizadas pelo governo, realizou neste sábado (19) esta Oficina, debatendo ações e propondo resoluções para o combate ao racismo. “Fundamental esse seminário com a responsabilidade de estar aprimorando nossas diretrizes para as ações de promoção da igualdade racial. Para além disso, participamos do Encontro Iberoamericano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, onde estive representando a CUT e do encontro dos chefes de Estado da América Latina, Caribe e África, realizado neste sábado com a presença do presidente Dilma, onde a companheira Glória da CUT-RJ esteve representando nossa central”,  destaca Maria Julia Nogueira, secretária de Combate ao Racismo da CUT.

“Isso significa que mesmo a CUT tendo começado tarde (1992) o debate visando ações efetivas de combate à discriminação racial, as ocupações destes espaços mostram hoje que estamos de fato no rumo certo”, complementa a dirigente nacional.

Infelizmente, os negros e negras ainda são sumariamente discriminados e convivem com a desigualdade em quase todos os segmentos da sociedade. Quando o tema é mercado de trabalho, a CUT vem atuando de forma propositiva para acabar com discriminação, seja na esfera de Estado ou na promoção das clausulas sociais nas negociações coletivas. “Temos a preocupação de orientar nossas entidades que levem o debate nas negociações coletivas para além da questão econômica, promovendo um conjunto de clausulas sociais voltadas ao combate da discriminação racial. Nós orientamos atenção a cinco ações: igualdade de oportunidade e não discriminação; isonomia salarial; comissões de promoção ou formas de averiguações de denúncias; ações afirmativas de promoção da igualdade”, elenca Julia.

Estas políticas são fundamentais quando pesquisas revelam que as diferenças no mercado de trabalho seguem desfavoráveis aos negros. Estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e da Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) divulgado recentemente mostra que na região metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego dos negros é maior que a dos não negros (brancos e amarelos) e o rendimento continua menor.

De acordo com o estudo, em 2010, a taxa média de desemprego dos negros foi de 14%, ante 10,9% dos não negros. O rendimento médio por hora era e R$9,62 para os não negros e R$5,81 para os negros.

“Acabar com essas diferenças é um desafio para o movimento sindical. Para tanto, precisamos de dirigentes preparados para o enfrentamento. Por isso, estamos trabalhando articulados e fazendo um debate muito forte na Formação. Na próxima semana realizaremos nosso Encontro Nacional, quando esta temática terá um destaque especial, dando mais consistência as parcerias entre as secretarias da CUT”, sublinha José Celestino Lourenço, o Tino, secretário de Formação da CUT.

Mas o trabalho é árduo porque a discriminação está enraizada na sociedade, lamenta o professor Ramatis Jacinto. Apesar das importantes medidas instíuidas durante o governo Lula, como a instituição da Lei de Cotas, criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, implementação da Lei 10.639 que institui o ensino da cultura africana e afro-brasileira nas escolas públicas e particulares e o Estatuto da Igualdade Racial, o Brasil continua caminhando a passos lentos no que tange a reparação desta divida histórica com os afro-descendentes.

“Um dos importantes intelectuais brasileiros, Celso Furtado, escreveu que no final da escravidão o negro não se adequou ao trabalho livre porque tinha uma preferência pelo ócio. Isso é um absurdo e revela esse racismo das autoridades acadêmicas que ainda hoje é utilizado para a formação dos quadros futuros. Quando uma autoridade diz isso, o advogado que vai virar juiz, por exemplo, terá um pré-julgamento diferenciado contra o negro. Esse tipo de elaboração acadêmica criminosa precisa ser desconstruída e o movimento sindical tem um papel muito importante nesta mobilização”, destaca.

“Não podemos aceitar que em um país que será em 15 anos a quinta maior potência mundial ainda tenha tanta desigualdade, com a população negra sendo marginalizada e descriminalizada de forma absurda”, finaliza Tino, lembrando do trabalho que a CUT vem promovendo visando as mudanças rumo a uma sociedade mais justa e igualitária, com distribuição de renda e igualdade racial e social.

Veja abaixo as atividades nos estados:

Ceará: planejamento de uma atividade no dia 15 de dezembro com o Dieese para divulgar a pesquisa sobre a situação do/a negro/a no mercado de trabalho.

Distrito Federal: trabalho nas escolas públicas (mais de 700) com a cartilha da CUT: Igualdade faz a diferença! Na segunda (21), o secretário esatdual de Igualdade Racial, Jorge Luiz, participará de audiência pública na Câmara Legislativa

Espírito Santo: participação dos Atos Políticos que vão acontecer nos dias 22 de novembro, a partir das 10 horas, na Praça Costa Pereira, Centro - Vitória e no dia 25 de novembro, a partir das 5 horas da manhã, na Praia de Camburi, Vitória.

Goiás: dia 21, a sociedade civil organizada vai se reunir em local público para o abraço negro em Goiânia, simbolizando e registrando a luta contra o racismo nas escolas e outros locais da sociedade.

Em alusão ao novembro negro, a CUT-GO convidará no dia 29 um especialista na área para realizar um debate com sindicalistas.

Minas Gerais e Mato Grosso: participando das atividades da CUT em nível nacional

Sergipe: na sexta (18), ocorreu a apresentação do filme contando a história do povo negro no Brasil – Cine CUT.

São Paulo: abertura das atividades no dia 28 de outubro com o curso de Formação. No dia 4 de novembro houve o debate sobre empreendedorismo. Neste domingo (20), a CUT-SP promove o CUT Cidadã Consciência Negra no município de Embu das Artes. Para além destas atividades, a CUT está fazendo neste ano um debate por todo o Estado sobre a implementação das políticas públicas que estão inseridas no Estatuto da Igualdade Racial.

Fonte: CUT Nacional / William Pedreira

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