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Com Bolsonaro e reforma, só luta impede LER/Dort de virar epidemia

Escrito po: Domingos Braga Mota, secretário de Saúde e Segurança do Trabalhador

28/02/2019

Em artigo, secretário da Contracs aponta importância de categoria lutar por melhores condições de trabalho


De acordo com dados do INSS, em 2017, mais de 22 mil trabalhadores foram afastados de suas atividades por mais de 15 dias por conta de lesões por esforço repetitivo e doenças osteomusculares relacionadas do trabalho (LER/Dort). O equivalente a 11,19% de todos os benefícios concedidos no ano.

Neste 28 de fevereiro em que celebramos o Dia da Consciência sobre Lesões por Esforço Repetitivo, os números demonstram que o ambiente de trabalho continua a adoecer que produz e a tendência, com a precarização das leis trabalhistas aprofundada por Jair Bolsonaro, é que os números piorem.

Entre as doenças mais comuns estão aquelas relacionadas a atividades que exigem força, como punho ou elevação dos braços acima da linha dos ombros, mas especialistas apontam que o estresse também pode proporcionar problemas. São sequelas dessas atividades tendinite, tenossinovite e bursite.

Também estão mais vulneráveis os grupos que exercem atividades repetitivas como os trabalhadores bancários, de supermercados, de frigoríficos, telemarketing, cozinhas, das indústrias, eletrônica, de veículos, têxtil e atacadistas.

Num Brasil que aposta no trabalho intermitente, aquele em que o empregado só recebe por hora trabalhada, e em que pretende substituir o emprego formal para os jovens que ingressam no mercado pela ‘carteira verde-amarela’, com menos direitos, não é necessário penar muito para concluir que teremos vítimas de adoecimento cada vez mais cedo.

Ruim para o trabalhador e também para os serviços de saúde que terão de tratar dos doentes. Isso se ainda houve serviço público no Brasil após o governo de extrema-direita que elegeu os pobres como obstáculos para o desenvolvimento.

A melhor forma de combater esses males é a prevenção, mas com trabalhadores cada vez menos integrados aos ambientes da empresa, teremos também cada vez menos empregadores preocupados em oferecer condições dignas.

Com a modificação das formas de contratação e inclusão de modelos como o trabalho temporário e intermitente, o teletrabalho e o home office, o controle sobre as jornadas se torna muito menor. Para piorar, tivemos com a reforma trabalhista a regulamentação da jornada de 12 horas.

Após a destruição do Ministério do Trabalho, Bolsonaro também desmobilizou a Comissão Tripartite Paritária e Permanente, formada por empregadores, trabalhadores e governo, para construir e negociar as normas regulamentadores, em especial a NR-17, que trata da saúde no ambiente laboral.

Da mesma forma, o corte em investimentos do governo na fiscalização e a visão do presidente de que a atuação de auditores-fiscais é prejudicial ao país deixa os maus empregadores livres para oferecer uma estrutura precária e aprofundar o assédio moral e a pressão por metas inalcançáveis e a execução exaustiva de tarefas, como já vemos no setor de comércio e serviços.

Sob este governo e com as novas regras trabalhistas, temos também os trabalhadores excluídos da gestão de saúde no local de trabalho. Uma lástima em especial para o setor do comércio e serviços que já sofre com o avanço das novas tecnologias, responsáveis por manter o empregado cada vez mais ligado a suas tarefas.

Mais do que nunca, o Dia da Consciência sobre Lesões por Esforço Repetitivo ganha importância como uma data de luta conjunta de todas as categorias pela prevenção do adoecimento e em defesa de condições decentes para toda classe trabalhadora.

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