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Na luta por uma Copa digna para todos/as

Escrito po: Alci Matos Araujo, presidente da Contracs

13/11/2012

Grandes eventos têm impactos negativos para população carente e muitas vezes para os trabalhadores.

 

O Brasil vai sediar nos próximos anos dois grandes eventos esportivos internacionais - a Copa do Mundo de Futebol (2014) e os Jogos Olímpicos (Rio-2016). A escolha do país deixou a nós, brasileiros, muito orgulhosos e apreensivos ao mesmo tempo. O mundo se volta para o Brasil com olhos atentos desde que o anúncio do país como sede desses importantes megaeventos esportivos aconteceu.

 

Todo o mundo é bem-vindo ao Brasil, não só durante esses eventos. O brasileiro é internacionalmente conhecido pela hospitalidade e calor humano. Também vamos poder mostrar que somos bons arquitetos, engenheiros, administradores, comerciantes, temos bons hotéis e trabalhadores muito bem preparados. Ótimo por esse lado.

 

O problema é o quanto esses eventos vão melhorar o país para os brasileiros, para os trabalhadores (as) que vivem aqui em ônibus apertados e com baixos salários o ano todo, a vida toda.

 

Estudos realizados antes, durante e depois desses grandes eventos em outros países mostram que a população mais carente e os trabalhadores (as) sofrem com os impactos negativos de Copa e dos Jogos Olímpicos. 

 

Teremos novas megaestruturas. Ótimo. Mas, para quem elas se destinam é a grande questão. Os trabalhadores terão condições de bancar ingressos caríssimos durante a Copa? E depois, poderão usar os espaços para a prática esportiva de sua família? A escola de seu filho vai poder usar alguma dessas estruturas?

 

Os trabalhadores (as), especialmente no período desses eventos, serão contratados de acordo com a legislação trabalhista, com proteção jurídica e direitos respeitados?. Ou será que vão ouvir discurso do patrão de que terão de dar o sangue para mostrar que o Brasil sabe fazer evento. Oras... em pleno século 21 sabemos que eventos se fazem com planejamento e programação. Não com horas-extras a perder de vista e sem pagamento, baixos salários e precarização. 

 

Vamos ver a experiência de outros países. As Olimpíadas realizadas este ano em Londres, na Inglaterra, trouxeram ganhos em transporte, regeneração de áreas degradas e aumento no número de moradias, uma vez que a vila olímpica será transformada em moradia. Ou seja, houve benefícios em infraestrutura. O evento também foi positivo para incrementar o turismo e criar estruturas melhores na área esportiva. Empregos também foram criados.

 

Mas, segundo analistas que acompanharam a preparação do evento em Londres, o grande problema é a revitalização da cidade com expulsão da população mais carente. 

 

Vancouver, no Canadá, também foi sede de um megaevento esportivo em 2010. Juntamente com Whistler, uma estação de esqui, a cidade sediou os Jogos Olímpicos de Inverno. Os pontos positivos foram promoção do turismo, aumento das vendas no comércio. A cidade ganhou mais uma linha de metrô nesse periodo. 

 

As desvantagens são o alto custo das moradias e da terra em geral na cidade. Serviços também se tornaram mais caros impactando especialmente trabalhadores e população mais carente.

 

Apesar das promessas de modernização estrutural e incremento do turismo, nem todos os países conseguiram. Especialistas citam que Japão, Austrália e Grécia não tiveram o impulso esperado na economia, quando sediaram esses megaeventos.

 

Outro problema comum é a inflação. Os preços costumam subir devido ao grande número de estrangeiros nos países. Se isso não é justo com nossos visitantes, imagine para quem mora na cidade e vai ter de pagar muito mais pelos mesmos produtos e serviços.

 

Em suma, o grande perigo é que esses eventos beneficiem empresas multinacionais e elites globais, como sabemos que ocorreu na África do Sul, durante a última copa do mundo de futebol.

 

Queremos uma super Copa no Brasil e Jogos Olímpicos incríveis para todos. Não só para quem pode pagar caro. Quem constrói o Brasil são os trabalhadores e trabalhadoras. Então, é para toda a sociedade que as estruturas têm de servir.

 

A CUT e a Contracs trabalham no sentido de monitorar as ações da Copa e das Olimpíadas e construir propostas para a valorização dos trabalhadores (as) e a criação de empregos dignos. O que queremos é UMA COPA DIGNA E PARA TODOS/AS.

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