Sabemos que o Dia Internacional da Mulher não é uma data comemorativa. É uma data política. E, ao longo de sua trajetória, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs) construiu sua atuação a partir da constatação concreta de que o comércio e os serviços no Brasil têm rosto feminino.
Segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, as mulheres são maioria em diversas atividades do setor de serviços administrativos, teleatendimento, comércio varejista e atividades de apoio. Em segmentos como telemarketing, elas representam cerca de 70% da força de trabalho. No comércio varejista, a presença das trabalhadoras supera 40% e cresce nas funções de atendimento, caixa e vendas.
É nesse chão real que a Confederação organiza sua luta.
Igualdade salarial e combate à discriminação
O Brasil ainda convive com desigualdade salarial entre homens e mulheres. Dados recentes indicam que as mulheres recebem, em média, cerca de 20% a menos do que os homens para funções equivalentes. A desigualdade é ainda maior quando se trata de mulheres negras.
Não é por acaso que a Contracs participa de campanhas nacionais e incidência política pela transparência salarial, pela equiparação remuneratória e pela inclusão de cláusulas específicas de combate à discriminação nas convenções coletivas.
A entidade defende mecanismos de fiscalização e punição a práticas discriminatórias e atua para que a negociação coletiva inclua garantias concretas contra o assédio moral e sexual — problemas que atingem desproporcionalmente as trabalhadoras.
Redução da jornada e fim da escala 6×1
A luta pela redução da jornada de trabalho sempre foi defendida pela Confederação como instrumento de justiça social. E, para as mulheres, essa pauta tem dimensão ainda mais profunda.
Estudos mostram que as mulheres dedicam, em média, quase o dobro do tempo dos homens às tarefas domésticas e de cuidado. Quando submetidas a jornadas extensas, como a escala 6×1, acumulam sobrecarga física e mental.
Ao defender o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução salarial, a Contracs incide diretamente sobre a qualidade de vida das trabalhadoras. Essa pauta é compreendida como uma política pública estruturante que reduz desigualdades e amplia tempo de vida.
Regulamentação profissional e saúde no trabalho
A entidade que representa trabalhadoras no comércio e serviços de todo o Brasil participa ativamente do debate sobre a regulamentação de profissões invisibilizadas e da defesa de condições dignas de trabalho.
A atuação da Contracs está presente na fiscalização dos direitos, no enfrentamento a metas abusivas e na denúncia do adoecimento laboral.
O crescimento dos afastamentos por transtornos mentais e doenças osteomusculares nos setores de atendimento e comércio evidencia que essa é uma pauta que atinge majoritariamente mulheres jovens.
Proteção à maternidade e políticas de cuidado
A Confederação sempre defendeu a ampliação da licença-maternidade, a estabilidade da gestante, a criação de creches e políticas públicas de cuidado.
No Brasil, quase metade dos lares é chefiada por mulheres, e uma parcela significativa dessas famílias é composta por mães solo. Cada política de proteção ao emprego, cada avanço previdenciário e cada defesa do Sistema Único de Saúde impacta diretamente essas trabalhadoras.
Ao se posicionar contra reformas que dificultam o acesso à aposentadoria, a Contracs também defende mulheres que possuem trajetórias contributivas mais interrompidas, em razão da maternidade e do trabalho informal.
Enfrentamento à violência contra a mulher
A violência doméstica e o assédio são realidades que atravessam o mundo do trabalho. A Confederação apoia e encabeça campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher, participa de mobilizações nacionais e defende cláusulas de proteção às vítimas nas negociações coletivas.
O Brasil registra milhares de casos de violência doméstica todos os anos. A entidade compreende que essa não é apenas uma questão privada, mas um problema social que exige políticas públicas e redes de proteção.
Formalização, renda e valorização do salário mínimo
As mulheres estão mais concentradas em ocupações de menor remuneração e maior rotatividade. A defesa da valorização do salário mínimo, da formalização do emprego e da negociação coletiva forte tem impacto direto sobre essa realidade.
Cada aumento real do salário mínimo eleva a renda de milhões de trabalhadoras do comércio e dos serviços. Cada política de proteção ao emprego evita que mulheres sejam empurradas para a informalidade.
A atuação da Confederação nessas frentes não é indireta. É estrutural.
Participação social e democracia
A Contracs participa de conferências nacionais, espaços de participação social e mobilizações em defesa da democracia e dos direitos sociais. Para a entidade, não existe política pública para mulheres sem ambiente democrático.
A autonomia econômica é condição de liberdade. E liberdade depende de trabalho digno, renda justa e proteção social.
Neste 8 de Março, a Confederação reafirma que sua trajetória é atravessada pela luta das mulheres trabalhadoras. Cada pauta defendida — da redução da jornada à igualdade salarial, da regulamentação profissional à proteção social — tem impacto concreto na vida de milhões de mulheres brasileiras.
Sendo assim, a Contracs não trata a pauta das mulheres como tema lateral. A entidade compreende que, no comércio e nos serviços, falar de mulheres é falar do coração da classe trabalhadora.
E é a partir dessa compreensão que segue organizando, mobilizando e incidindo para que direitos não retrocedam e novas conquistas avancem.

