Parte das atividades deste 15 de abril, a CUT e demais centrais sindicais entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Agenda da Classe Trabalhadora 2026-2030, em reunião realizada no Palácio do Planalto, na tarde desta quarta-feira (15), em Brasília. O encontro reuniu também o o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
A entrega da pauta ocorreu após a mobilização das centrais com a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) e a Marcha da Classe Trabalhadora que levou milhares às ruas da capital federal. Na agenda do dia também foi realizada reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) para a entrega da pauta que concentra propostas consideradas estratégicas para os trabalhadores, incluindo a regulamentação da negociação no setor público e o fim da escala 6×1.
A agenda das centrais para 2026-2030, documento que contém 68 intens, vai além de demandas imediatas e propõe preparar a classe trabalhadora para mudanças estruturais no mundo do trabalho. O documento traz ps impactos da tecnologia e das mudanças climáticas, a necessidade de repensar jornada e qualidade de vida, destacando pontos como a redução da jornada de trabalho sem reduçãod e salário – o fim da escala 6×1, comabte à pejotização, regulamentação do trabalhao por aplicativos, entre outras pautas.
Fala, presidente!
Lula concentrou sua mensagem às centrais na necessidade de mobilização política para garantir que as propostas avancem no Legislativo. “Vocês vão ter que vir para convencer da necessidade. As centrais sindicais têm que marcar reunião, têm que conversar com deputados, com senadores”, afirmou.
O presidente destacou que o envio de projetos não assegura sua aprovação. “Isso aqui que a gente está enviando é pouco diante do que precisa ser conquistado. A luta começa agora”, disse.
Congresso e correlação de forças
Lula vinculou diretamente o avanço da pauta à composição do Congresso e à atuação política da classe trabalhadora. “É importante que vocês comecem a pensar como é que a gente faz para ter uma maioria comprometida com os direitos do povo brasileiro”, afirmou.
Ao relembrar mudanças recentes, como a reforma trabalhista de 2017 e a reforma da Previdência, o presidente apontou perdas de direitos e aumento da precarização. “Os inimigos estão à espreita, eles não desapareceram”, disse.
Ele também citou propostas que ampliam formas de contratação sem garantias e restringem direitos, especialmente entre trabalhadores de aplicativos.
Organização sindical e financiamento
Outro ponto de sua fala foi o enfraquecimento das entidades sindicais nos últimos anos. Lula criticou medidas de governos anteriores que reduziram a capacidade de organização dos trabalhadores. “Sem dinheiro, o sindicato não consegue se organizar, não consegue fazer protesto”, afirmou.
Ele defendeu a autonomia das categorias para decidir formas de contribuição, destacando que o debate atual não é o retorno automático de modelos anteriores, mas a construção de mecanismos definidos coletivamente.
Disputa de narrativa
Lula também abordou o ambiente político e comunicacional, apontando a necessidade de maior atuação do movimento sindical na sociedade. “Hoje nós temos que convencer a sociedade. O argumento sozinho não resolve”, afirmou.
Segundo ele, o cenário digital exige novas formas de disputa política e maior presença das entidades.
Ao final, reforçou a relação histórica com as centrais: “Nós fomos companheiros antes, nós somos companheiros agora e seremos companheiros para sempre, independente do que acontece, o que acontecer em eleição”.
Reorganizar e ampliar representação
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, reforçou ao presidente Lula a necessidade de atualização do modelo sindical. Segundo ele, o sistema atual não responde à realidade do mercado de trabalho.
“O grande desafio é a reorganização do nosso modelo sindical, atualização do modelo e fortalecimento do nosso modelo sindical”, afirmou.
Nobre destacou que o modelo vigente “nasceu para representar os trabalhadores que têm carteira assinada e os servidores públicos que são concursados”, deixando de fora “metade da classe trabalhadora”.
Ele defendeu ampliar a representação e fortalecer a negociação coletiva: “trazer esse povo para dentro do nosso modelo de representação” e “fortalecer muito a negociação coletiva”.
Ao tratar do cenário político, vinculou a pauta ao futuro governo. “Essa pauta só vai se tornar realidade se o senhor continuar a nos governar nesse período”, disse o presidente da CUT.
Sérgio Nobre ainda reforçou o apoio ao presidente Lula. “Presidente, aqui tá o teu exército e nós vamos estar nessa batalha com você. Você é o nosso general”, disse.
Redução da jornada é “decisão corajosa”
O ministro-chefe da Casa Civil, Guilherme Boulos, ressaltou a importância da mobilização das ruas e conectou o ato à agenda legislativa.
“As centrais e os sindicatos mostraram a força da classe trabalhadora organizada nesse país hoje”, afirmou.
Ele classificou o envio do projeto sobre a escala 6×1 como “uma decisão corajosa do presidente Lula de mandar um projeto de lei com regime de urgência”.
Boulos destacou que, apesar do avanço tecnológico, os ganhos de produtividade não foram convertidos em mais tempo livre. “Lamentavelmente esse avanço de produtividade não se refletiu até aqui numa liberação de tempo para os trabalhadores”.
Também criticou o argumento patronal sobre qualificação. “Como é que quer que o trabalhador se qualifique mais se ele não tem tempo para nada”, questionou, reafirmando que “dois dias de descanso é uma questão de humanidade”.
Alerta contra pejotização
O ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho deu destaque à precarização das relações de trabalho, especialmente na pejotização.“A pejotização leva a um processo de desestruturação das relações de trabalho do país, destruindo o fundo de garantia, fragilizando a previdência social”, afirmou.
Ele defendeu que o debate sobre formas de contratação seja conduzido pelo Congresso. “O parlamento tem a obrigação de entrar nesse debate, porque isso não é um debate para a Suprema Corte”.
Marinho classificou como “fraude trabalhista” práticas de contratação via cooperativas em setores como saúde e limpeza e alertou para “um retrocesso incalculável” caso esse modelo se amplie.
Democracia e trabalho
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a relação entre sindicalismo e democracia.
“Não há democracia sem presença sindical. E não há presença sindical sem democracia”, afirmou.
Ele também citou avanços econômicos e sociais e relatou um episódio que ilustra a pressão pelo fim da escala 6×1. “A moça que tava lá no restaurante falou para mim: ‘Quando é que vai acabar a escala 6X1? Quando é que vai acabar?’”.
Ao reproduzir o relato, reforçou a dimensão social da pauta: “Eu não me incomodo de trabalhar sábado, mas eu preciso ter dois dias. Eu sou mãe, tenho filhos, tenho casa para cuidar”.
Congresso Nacional
Mais cedo a CUT e as centrais sindicais entregaram ao presidente da Câmara dos Deoputados, Hugo Motta, dois documentos: a Pauta da Classe Trabalhadora 2026–2030 e a Agenda Legislativa das Centrais Sindicais. As propostas contém as deliberações aprovadas na Conclat, realizada na manhã desta quarta-feira, e estruturam a atuação do movimento sindical para os próximos anos na defesa das questões de interesse dos trabalhadores.
Fonte: Redação CUT





