Da organização nacional dos comerciários à mobilização pelo fim da escala 6×1, Confederação reafirma seu compromisso com o trabalho digno, a democracia e a justiça social
Nesta quarta-feira, 15 de julho, a Contracs completa 36 anos de uma história construída pela organização, pela resistência e pela luta coletiva de trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil.
São mais de três décadas defendendo aqueles e aquelas que diariamente movimentam o comércio, os serviços, o turismo, a hotelaria, a limpeza urbana, o asseio e a conservação, o processamento de dados, o trabalho doméstico e tantas outras atividades fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do país.
A história da Contracs começou a ser construída ainda em 1987, quando sindicatos de comerciários de diferentes estados se uniram diante da necessidade de uma representação nacional capaz de organizar as reivindicações da categoria. O processo resultou no congresso de fundação do Departamento Nacional de Comerciários, realizado entre os dias 13 e 15 de julho de 1990, em Vitória, no Espírito Santo.
O encontro reuniu 95 delegados, representantes de sindicatos, federação e oposições sindicais de 12 estados e do Distrito Federal. Nascia ali o embrião da Contracs, com o compromisso de enfrentar problemas que, apesar das transformações ocorridas no mundo do trabalho, continuam atuais, como baixos salários, alta rotatividade, discriminação, jornadas exaustivas e dificuldades para conciliar trabalho, estudo, maternidade, descanso e convivência familiar.
Em 1993, a organização avançou para a construção de uma representação mais ampla, reunindo trabalhadores do comércio e do setor de serviços. O Departamento Nacional de Comerciários transformou-se, então, na Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços, fortalecendo a articulação de sindicatos e categorias de todas as regiões do país.
Uma história marcada por conquistas
Ao longo desses 36 anos, a Contracs participou de algumas das principais batalhas travadas pela classe trabalhadora brasileira.
Entre os avanços históricos estão a regulamentação da profissão de comerciário, a ampliação dos direitos das trabalhadoras domésticas, a regulamentação da distribuição das gorjetas e a construção do Pacto pelo Trabalho Decente no setor de turismo e hotelaria durante os grandes eventos realizados no Brasil.
A Confederação também esteve presente nas lutas contra a abertura indiscriminada do comércio aos domingos e feriados, contra o banco de horas imposto sem negociação, pela formalização do emprego, pela valorização salarial, pelo direito à creche e à maternidade, pela igualdade de remuneração entre homens e mulheres e pelo combate às discriminações e aos assédios moral e sexual nos locais de trabalho.
Com o passar dos anos, novas transformações trouxeram novos desafios. Automação, terceirização, informalidade, pejotização, trabalho por plataformas e uso da tecnologia para retirar direitos passaram a ocupar o centro das preocupações da Confederação, sem que fossem abandonadas as bandeiras históricas por saúde, segurança, emprego protegido e negociação coletiva.
Presença e resistência durante a pandemia
Um dos períodos mais difíceis dessa trajetória foi enfrentado durante a pandemia da Covid-19.
Enquanto milhões de pessoas podiam permanecer em casa, trabalhadores e trabalhadoras do comércio e dos serviços continuaram garantindo o funcionamento de supermercados, farmácias, serviços de limpeza, hotéis, estabelecimentos comerciais e diversas outras atividades consideradas essenciais.
Em meio ao medo, à falta de equipamentos de proteção, às demissões e à perda de renda, a Contracs defendeu medidas para proteger a vida e a sobrevivência das famílias. A Confederação participou da luta pela aprovação do Auxílio Emergencial de R$ 600, cobrou condições seguras de trabalho, defendeu o direito ao afastamento das pessoas mais vulneráveis e pressionou pela inclusão dos trabalhadores do comércio e dos serviços entre os grupos prioritários da vacinação contra a Covid-19.
A atuação durante aquele período reafirmou um princípio presente desde a fundação da entidade, que nenhum emprego pode valer mais do que a vida de quem trabalha.
Trabalhar para viver, não viver para trabalhar
Atualmente, uma das principais bandeiras da Contracs é o fim da escala 6×1, modelo que obriga milhões de trabalhadores e trabalhadoras a permanecer seis dias consecutivos no trabalho para ter apenas um dia de descanso.
Por meio da campanha “Trabalhar para viver, não viver para trabalhar”, a Confederação ajudou a ampliar o debate nas entidades sindicais, nos locais de trabalho, nas ruas e no Congresso Nacional. A defesa é por uma jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem qualquer redução salarial e de direitos.
A mobilização alcançou uma vitória histórica em 27 de maio de 2026, quando a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019. O texto estabelece uma jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, com dois dias de repouso remunerado. A proposta agora precisa ser aprovada pelo Senado Federal.
A luta, portanto, ainda não terminou. A Contracs permanece mobilizada para que o Senado não adie uma mudança que pode garantir mais saúde, descanso, convivência familiar, estudo e dignidade para milhões de brasileiros e brasileiras.
Reconhecimento e direitos para garis e margaridas
Entre as lutas atuais, a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da limpeza urbana também ocupa lugar central na atuação da Contracs.
A Confederação participa da mobilização pela aprovação do PL 4.146/2020, que estabelece um piso salarial nacional para os trabalhadores essenciais da limpeza urbana e prevê direitos relacionados à insalubridade, à aposentadoria especial, à alimentação, à saúde e às condições de segurança no trabalho e no transporte.
Aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto chegou ao Senado em março de 2026 e permanece aguardando a votação do requerimento de urgência.
Diante da demora, a Contracs apoiou a organização e a mobilização nacional dos garis e margaridas. Em junho, a greve da categoria alcançou sete capitais — Brasília, Vitória, São Luís, Maceió, Cuiabá, Salvador e Natal — além de dezenas de municípios em todas as regiões do Brasil.
Para o presidente da Contracs, Julimar Roberto, completar 36 anos representa celebrar uma história construída por milhares de dirigentes, sindicatos filiados e milhões de trabalhadores e trabalhadoras que nunca deixaram de acreditar na organização coletiva.
“A Contracs chega aos seus 36 anos ainda mais forte porque nunca perdeu sua essência que é estar ao lado da classe trabalhadora em todos os momentos, especialmente nos mais difíceis. Nossa história é feita de resistência, mas, sobretudo, de esperança. Enquanto houver injustiça, exploração e retirada de direitos, haverá a nossa Confederação organizada para lutar. Celebramos nosso passado com orgulho e olhamos para o futuro com a certeza de que ainda conquistaremos muito mais para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros”, afirma o presidente.
Reeleito para dirigir a Confederação no quadriênio 2023–2027, Julimar lidera uma direção formada com paridade de gênero e representantes das diferentes regiões e categorias organizadas pela entidade.
36 anos com os olhos voltados para o futuro
Ao completar 36 anos, a Contracs carrega as marcas das batalhas enfrentadas e das conquistas alcançadas, mas mantém os olhos voltados para os desafios do presente e do futuro.
A defesa do fim da escala 6×1, a aprovação do PL dos Garis, o combate à pejotização e à informalidade, a regulamentação das atividades profissionais, a proteção diante das novas tecnologias, a igualdade salarial, o enfrentamento ao racismo, ao assédio e à violência contra as mulheres, além da defesa incondicional da democracia, permanecem entre os compromissos da Confederação.
“Em um mundo do trabalho cada vez mais marcado por mudanças rápidas e tentativas de retirada de direitos, a existência de uma organização nacional forte, democrática e conectada com sua base torna-se ainda mais necessária”, completou Julimar.
Há 36 anos, a Contracs nasceu da união. Cresceu por meio da organização. Conquistou direitos com mobilização. E continuará avançando porque sua história é escrita, todos os dias, pelas mãos de quem trabalha.
Parabéns, Contracs, pelos 36 anos de luta, resistência e compromisso com a classe trabalhadora brasileira.

