As mudanças nos locais de votação para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, atingem mais de 592 mil eleitores, segundo levantamento feito por CartaCapital a partir dos dados de seções eleitorais alteradas. A maior parcela está no Nordeste, região em que Lula (PT) venceu no primeiro turno. A distribuição chama atenção porque o deslocamento dos eleitores pode se tornar um fator relevante em uma disputa presidencial acirrada.
A tabela de eleitorado por unidade da Federação soma 592.870 pessoas, incluindo 6.275 eleitores registrados em zonas eleitorais no exterior. Desconsiderados esses registros, são 586.595 eleitores no Brasil.
O Tribunal Superior Eleitoral informou que 4.352 seções tiveram seus locais de votação alterados para o segundo turno, o equivalente a 0,87% das 499.248 seções do País.
CartaCapital usou os dados oficiais do TSE para o levantamento, atualizados às 11h27 deste domingo, 18 de outubro.
Nordeste concentra 251 mil eleitores afetados
O Nordeste reúne 251.647 eleitores afetados, o equivalente a cerca de 42,4% do total, incluindo os registros no exterior. É a região com maior número de pessoas afetadas, seguida pelo Sudeste, com 133.535; Norte, com 90.461; Sul, com 84.777; e Centro-Oeste, com 26.175.
No primeiro turno, Lula venceu em todos os estados nordestinos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) teve vantagem no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Norte ficou dividido.
O resultado regional das seções com endereço alterado também mostra predominância petista no Nordeste: Lula ficou à frente em 1.506 das 1.592 seções analisadas, ou 95%.
No conjunto das 4.352 seções do levantamento, Lula teve maioria em 55,8%. Flávio liderou em 43,7%. A média dos percentuais de votos nas seções alteradas foi de 49,7% para Lula e 43,4% para Flávio.
São Paulo lidera mudanças
São Paulo concentra o maior número de seções alteradas, com 982, seguido por Minas Gerais, com 514; Rio de Janeiro, com 431; e Bahia, com 312, segundo os dados divulgados pelo TSE. As alterações foram justificadas por questões de infraestrutura, acessibilidade, segurança e danos provocados por eventos climáticos, entre outros problemas.
Esses quatro estados são, justamente, os quatro primeiros em número de eleitores aptos a votar. Juntos, somam 74.659.890 eleitores.
Já a distribuição do eleitorado afetado, conforme o levantamento, tem Minas Gerais na primeira posição, com 75.806 eleitores, seguida pelo Paraná, com 74.877. Maranhão aparece em terceiro, com 52.699, à frente de Pernambuco, com 48.502, e São Paulo, com 45.140.
O ranking de eleitores afetados por unidade da Federação, incluindo Distrito Federal e Mato Grosso – que não aparecem na base de seções alteradas –, é o seguinte:
– Minas Gerais – 75.806;
– Paraná – 74.877;
– Maranhão – 52.699;
– Pernambuco – 48.502;
– São Paulo – 45.140;
– Bahia – 38.193;
– Amapá – 35.086;
– Paraíba – 30.858;
– Piauí – 26.785;
– Goiás – 26.105;
– Alagoas – 22.855;
– Sergipe – 22.241;
– Amazonas – 16.552;
– Roraima – 14.661;
– Pará – 10.043;
– Rio Grande do Sul – 9.578;
– Tocantins – 7.718;
– Rio Grande do Norte – 6.940;
– Rio de Janeiro – 6.803;
– Exterior – 6.275;
– Espírito Santo – 5.786;
– Rondônia – 3.296;
– Acre – 3.105;
– Ceará – 2.574;
– Santa Catarina – 322;
– Mato Grosso do Sul – 70;
– Distrito Federal – 0;
– Mato Grosso – 0.
Campanha de Lula pede aviso no WhatsApp
A coligação do presidente Lula acionou o TSE no sábado 17 para pedir que a Justiça Eleitoral avise individualmente, inclusive por WhatsApp, os eleitores que tiveram seus locais de votação alterados. A petição solicita também que os novos endereços sejam divulgados em até 48 horas e que haja articulação com prefeituras para oferecer transporte gratuito a eleitores que enfrentem dificuldades de deslocamento.
A campanha argumenta que a divulgação genérica das mudanças em sites e redes sociais transfere ao eleitor a responsabilidade de descobrir se precisa votar em outro endereço. O pedido foi apresentado após o primeiro turno, quando 33,4 milhões de pessoas deixaram de votar, uma abstenção de 21,08%.
A campanha cita como exemplo uma iniciativa do TRE de Minas Gerais, que enviou mensagens pelo WhatsApp a 81.511 eleitores que tiveram seus locais alterados antes do primeiro turno. O TSE já havia recomendado aos tribunais regionais que reforçassem a divulgação das mudanças.
Como consultar se o local de votação mudou
O eleitor pode conferir o endereço atualizado no Autoatendimento Eleitoral, no site do TSE, ou pelo aplicativo e-Título. A consulta deve ser feita mesmo por quem votou normalmente no primeiro turno.
No e-Título, abra o aplicativo e selecione “Onde votar”, na barra inferior. A ferramenta apresenta o endereço atualizado e permite consultar uma rota até o local.
Siga esses passos no site:
- Acesse o Autoatendimento Eleitoral do TSE;
- Selecione a opção “Onde Votar”;
- Informe os dados solicitados, como CPF ou número do título, data de nascimento e nome da mãe;
- Consulte o resultado e confira o endereço, a zona e a seção eleitoral. Compare o local informado com aquele em que votou no primeiro turno.
Fonte: Redação CartaCapital

