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“Não existe uma juventude; existem juventudes.” afirma Rudá Ricci

12/08/2016

No IV Encontro Nacional da Juventude, análise de conjuntura faz retrato do Brasil para entender os jovens brasileiros

Escrito por: Adriana Franco/Contracs

Durante a manhã desta quinta-feira (11), o professor Rudá Ricci fez um resgate da construção da sociedade brasileira para traçar o perfil da juventude durante o IV Encontro Nacional da Juventude do ramo do comércio e serviços.

Rudá afirmou que a construção da sociedade brasileira não partiu de uma revolução, por isso não é unificada, não rompeu com as tradições rurais e tornou-se um país híbrido e pouco moderno. Segundo o professor, a cultura híbrida é marcada pela troca de favores e pela luta de direitos que não se realizem plenamente. Além disso, a cultura é estamental, ou seja, não aceita que as pessoas mudem de classe social, rejeitando a solidariedade e marcando o preconceito de classe.

Com uma sociedade que é avançada e conservadora ao mesmo tempo, Rudá Ricci destacou que o Brasil é complicado e para ser líder é preciso conhecer estas contradições. “A juventude não é diferente disso. Estamos falando de juventudes e não existe apenas uma juventude.” ressaltou.

Perfil dos jovens
Para Rudá, os jovens hoje são autonomistas ou arrivistas. Ele classifica como autonomistas os jovens dos novos movimentos de esquerda em que não há hierarquia, não permitem ter uma liderança, grande parte vem da cultura e possuem uma ação de revolta e confronto. Rudá afirma que ao ocupar os espaços, estes jovens criam comunidades fechadas e que não se preocupam com uma questão nacional e estão sempre em oposição “aos de cima”. Já os arrivistas, Rudá afirma que são os individualistas que querem apenas se dar bem na vida e fazerem parte da elite.

Ao tratar da organização dos jovens, o professor lembrou que antes os jovens se organizavam de forma hierárquica, mas hoje se organizam em redes, através de grupos separados e que nem todos se comunicam. Segundo ele, os jovens se comunicam apenas entre os grupos que pensam de forma igual em uma forma de espelhamento. “Estamos criando comunidades fechadas que não discutem sociedade, apenas discutem o seu interesse.”

Ao comparar a juventude do século XX com a juventude do século XXI, Rudá Ricci lembrou que se antes predominava-se o coletivo, a militância seguia a orientação da organização e todos se vinculavam a um único objetivo; hoje as pautas são fragmentadas, a inidividualidade tem um valor gigantesco fazendo com que a ligação pessoal seja fundamental para se vincular à uma causa, no entanto o fazem apenas em ações pontuais, de forma provisória.

Por último, o professor lembrou que os jovens hoje estão desvinculados da política e que a polarização esquerda X direita faz com que eles se afastem ainda mais de todas as questões politizadas. Neste sentido, ele finalizou: “Quer ser popular? Não defenda nenhum dos dois.”

Os jovens no mercado de trabalho
Ao abordar os problemas enfrentados pela juventude no mercado de trabalho, Rudá Ricci destacou a exploração do trabalho que não é apenas física. Para fugir dos medos e das pressões, destacou o professor, o trabalhador cria uma fuga mental. Se no século XX, os trabalhadores precisavam enfrentar o esforço físico, no século XXI precisam enfrentar o esforço mental.

Rudá Ricci informou que o mercado de trabalho mundial acredita que a faixa etária mais produtiva é a de 35 anos. Por isso, inicia a contratação aos 25 anos, que passa a decair aos 55 anos. O professor destacou que o ápice de contratação se dá aos 55 anos. Antes dos 25 anos, o mercado de trabalho acredita que a falta de experiência dificulta a contratação assim como após os 55 anos, o mercado acredita que as pessoas se tornam mais conservadoras tornando um empecilho para a contratação. “Não há política no Brasil para resolver isso. Por isso, em época de crise com arrocho da classe trabalhadora, 50% dos trabalhadores da faixa dos 25 anos está sedempregado. Isso delimita a juventude para o mercado de trabalho.”

Ao falar dos jovens do comércio, Rudá destacou que o lançamento de novos produtos é constante, exigindo maior ritmo de trabalho da juventude que precisa vender a qualquer custo antes do lançamento de um novo produto. “Por isso, a juventude também é necessário no mercado de trabalho devido à sobrecarga de tempo e de trabalho exigido.” concluiu. 

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