terça-feira, março 5, 2024

Ataque a Vini Jr leva ONU a se posicionar de forma contundente contra o racismo

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O ataque racista sofrido pelo jogador brasileiro Vini Jr, atacante do time espanhol Real Madrid, vem mobilizando, além do governo brasileiro, várias instituições, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), que se posicionou de forma contundente contra a discriminação racial no futebol. Em Genebra, na Suíça, o alto comissário da ONU, Volker Turk, fez uma denúncia sobre o caso, nesta quarta-feira (24), evocando ‘esforços coletivos’ para acabar com essa forma de violência no esporte.

Ao citar que o caso ocorrido no domingo (21), em que Vini Jr foi, mais uma vez, alvo de ofensas racistas durante a derrota do Real Madrid para o Valência, como ‘um lembrete brutal da prevalência do racismo no esporte’, Turk fez o apelo “a todos os eventos esportivos do mundo para enfrentar, combater e prevenir o racismo”.

Reação brasileira

A mobilização contra o racismo teve seu primeiro enfrentamento oficial do Brasil um dia após o caso ocorrer e ganhar repercussão nas redes sociais causando revolta na sociedade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após declarar repúdio em relação ao ataque sofrido pelo jogador, convocou os ministérios de Relações Exteriores, do Esporte, da Igualdade Racial, da Justiça e Segurança Pública e dos Direitos Humanos e da Cidadania, para não só se posicionarem sobre o caso, como cobrar das autoridades espanholas a punição dos agressores do jogador.

Em nota o governo afirmou que lamentava “profundamente que, até o momento, não tenham sido tomadas providências efetivas para prevenir e evitar a repetição desses atos de racismo” e pediu providências não somente do governo espanhol como da Fifa para que tomasse providências para que o racismo seja varrido do futebol.

A reação do governo brasileiro acabou se tornando um gesto diplomático de repúdio após o Itamaraty convocar a Embaixada da Espanha em Brasília para comunicar a posição oficial do governo em relação ao caso que, na verdade representa um problema institucional, já que vários outros casos de racismo contra brasileiros já ocorreram na Espanha.

Ato em apoio a Vini Jr

O Consulado Geral da Espanha no Brasil, sediado em São Paulo, foi palco de um protesto contra o racismo na tarde de terça-feira (23). Diversas entidades de movimentos negros prestaram solidariedade ao atacante. Mais de 200 pessoas foram até o local com faixas e bandeiras exigindo providências contra o racismo sofrido pelo jogador brasileiro.

Ao canal de notícias esportivas, a ESPN, o presidente da União de Negras e Negros pela Igualdade (Ungero), André Alexandre, afirmou que ‘não há mais espaço para a intolerância, racismo ou qualquer preconceito no mundo’. “Vamos estar juntos. Chega de racismo”, disse.

Os manifestantes cobraram, sobretudo, respostas e providências do governo espanhol e criticaram as declarações dadas por Javier Tebas, presidente da La Liga, realizadora do campeonato espanhol.

 

ROBERTO PARIZZOTTIRoberto Parizzotti

La Liga Racista –  Tebas havia feito uma postagem, pelo Twitter, rebatendo Vini Jr, negando que a Espanha e a La Liga sejam racistas. Disse ainda que o jogador está sendo injusto em suas acusações. “Não podemos permitir que seja manchada a imagem de uma competição que é acima de tudo um símbolo de união entre os povos”, disse o dirigente da La Liga.

Santander – Patrocinador oficial da La Liga, o banco espanhol, também presente no Brasil, país que rende às instituições parte significativa de seus lucros globais, afirmou em nota que “repudia veementemente qualquer manifestação de preconceito ou racismo”.

O posicionamento veio após a repercussão negativa vinculada ao nome do banco, acusado de conivência com o comportamento adotado pela La Liga. Além de expressar o repúdio, o Santander informou que desde o ano passado, já havia decidido, por conta de casos semelhantes, não renovar o contrato de publicidade, que termina após as duas rodadas que ainda faltam para o fim do campeonato.

No entanto, a EA Sports, empresa de jogos eletrônicos já fechou contrato de patrocínio com a La Liga, para substituir o Santander. A EA pagará 30 milhões de euros pela publicidade, valor acima dos 17 milhões pagos pelo banco espanhol.

Da redação da CUT

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