quarta-feira, abril 1, 2026

“Ou você coloca o pobre no orçamento ou a economia brasileira vai crescer para poucos”, afirma Lula

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (1º), em Fortaleza (CE), que o crescimento econômico depende da inclusão da população mais pobre no orçamento público. Segundo o mandatário, os resultados econômicos e sociais recentes estão ligados à distribuição de renda. “O milagre é a distribuição da riqueza. Não tem outra solução. Ou você coloca o pobre no orçamento ou a economia brasileira vai crescer para poucos. Esse país é muito fácil de ser governado para 35% da população. Eu quero ver você governá-lo para 100%”, afirmou. A declaração foi dada em entrevista à TV Cidade do Ceará.

Durante a entrevista, Lula também destacou a relação entre consumo popular e atividade econômica. “Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria. Pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza. Quando você faz política de inclusão social e dá à totalidade da sociedade o direito de comprar o mínimo necessário, o direito de comprar comida, roupa, um chinelo, um sapato, todo mundo começa a participar da economia. O pequeno comerciante vende. Ele contrata mais um comerciário, a loja vende uma coisa, contrata mais uma comerciária, a fábrica produz mais uma peça, e a economia vai crescendo”.

Brasil fora do Mapa da Fome

Lula citou a retirada do Brasil do Mapa da Fome da ONU como resultado da priorização da população mais pobre. Ele comparou os dois períodos em que esteve à frente do governo. “Quando eu cheguei em 2003, tinha 54 milhões de pessoas passando fome. Nós acabamos com isso. Agora, quando eu voltei, tinha 33 milhões de pessoas passando fome. Nós acabamos com isso outra vez. Isso é difícil, porque a elite brasileira, a Faria Lima, lá em São Paulo, o sistema financeiro, gostaria que o dinheiro que eu gasto em inclusão social fosse para eles e não para o povo pobre”, disse.

O presidente afirmou que os avanços econômicos também estão ligados à condução da política pública. “Nós temos hoje a maior massa salarial da história do Brasil, o menor desemprego na história do Brasil, o maior aumento de salário mínimo, nós temos a maior exportação, nós temos a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. As coisas estão dando certo porque tem muita seriedade”, declarou.

Entre os dados apresentados estão a retirada de milhões de pessoas da pobreza, a redução da desigualdade, a queda do desemprego para 5,4% no trimestre encerrado entre novembro e janeiro de 2026 e o aumento do rendimento médio do trabalho para R$ 3.742.

Diálogo político e reformas

Lula também relacionou os resultados à articulação política do governo com o Congresso Nacional. “Eu só tenho 70 deputados em 513. Eu só tenho nove senadores em 81. E nós construímos uma política tributária que foi aprovada pela grande maioria. Nós aprovamos o desconto do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais, que não pagará mais Imposto de Renda. Tudo isso com muita conversa, com muita costura, com muita sensibilidade política”, afirmou.

Ao final, o presidente destacou a importância da estabilidade institucional. “Para um país dar certo, o governante tem que garantir estabilidade fiscal, estabilidade econômica, estabilidade social, estabilidade política e previsibilidade. Ninguém será pego à meia-noite de surpresa com a notícia de um pacote. Tudo é feito à luz do dia. E foi assim que, pela primeira vez no regime democrático, a gente conseguiu aprovar uma reforma tributária”, concluiu.

 

Fonte: Redação Brasil 247

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