sexta-feira, junho 21, 2024

O golpismo não é cômico. Ele é trágico

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É importante que tenhamos um olhar mais crítico e não tratemos essa algazarra como algo engraçado

Desde que Lula ganhou as eleições no dia 30 de outubro, os eleitores do candidato derrotado foram às ruas fazer baderna. Alimentada por anseios golpistas, a maioria deles ─ que não é grande número ─ se concentra em frente aos quartéis, na esperança de que as Forças Armadas “salvem o Brasil”. Mas, se olharmos o circo a céu aberto que se formou nesses locais de concentração, quem precisa de salvação são eles.

Cantam o hino nacional para pneu, rezam, marcham, tomam chuva e sol, fazem preces para extraterrestres, choram, gritam, pedem intervenção militar, fecham vias. Um verdadeiro caos.

Seria cômico, se não fosse trágico.

Mas é trágico, muito trágico. E é importante que tenhamos um olhar mais crítico e não tratemos essa algazarra como algo engraçado, pois não é. Olhando de fora, podemos até ver fragmentos de comicidade, mas, lá no fundo, a essência é golpista, totalmente antidemocrática.

Primeiro, porque não aceitam o resultado das urnas, que elegeram Lula com mais de 60 milhões, e centenas de deputados e senadores Brasil afora. Segundo porque pedem a volta do regime militar, aquele que por anos matou, torturou, roubou e fez o que bem entendeu da população brasileira.

Eles, os insanos, são poucos, mas já têm causado estrago por onde passam. No começo desta semana, uma mulher não conseguiu se despedir da mãe em estágio terminal por conta dos bloqueios golpistas em Rondônia. Ela estava em Pontes e Lacerda (MT) e pegou um ônibus até Cacoal (RO), mas foi impedida de chegar por conta das vias bloqueadas. Sua mãe, infelizmente, acabou falecendo antes que a filha conseguisse passar pelos golpistas.

No Paraná, três adolescentes ficaram feridos após a van em que eles estavam se chocar com a barreira de terra feita por golpistas. No Mato Grosso, um pai se desesperou por não conseguir passar pelos bloqueios para levar o filho de 9 anos para fazer uma cirurgia ocular. Ele até tentou negociar com a trupe golpista, mas foi em vão, e o procedimento cirúrgico foi cancelado.

E os prejuízos causados pelos bloqueios não param por aí. Outra cirurgia, desta vez, do coração, foi cancelada por conta dos bloqueios. O órgão, de um doador, precisava ser transportado de Goiânia para São Paulo para a realização do procedimento. Mas, como as rodovias fechadas, não foi possível. Inúmeros também são os relatos de cancelamento de shows pelo país por conta das manifestações antidemocráticas.

Para dar mais fôlego ao movimento contra a democracia, o PL, partido do candidato derrotado, entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cancelar as eleições, sob alegação de fraude. A ironia é que o PL só pediu o cancelamento do 2º turno, que elegeu Lula. O primeiro, em que centenas de parlamentares e governadores bolsonaristas foram eleitos, não constou na petição. Só que o pedido não vingou. O ministro Alexandre de Moraes não só rejeitou a ação golpista, como aplicou uma multa de R$ 22 milhões ao partido.

E essa mesma punição aplicada ao PL deve se estender também àqueles que estão financiando as ações golpistas, bem como aos que estão nas ruas em manifestações criminosas e aos que estão em casa incentivando todo esse circo através das redes sociais. Não podemos aceitar que esse movimento ganhe fôlego e que seja tratado como algo natural. Somos um país democrático e, nesta democracia, a maioria escolheu Lula em um processo eleitoral limpo que, inclusive, é exemplo para outros países. Como disse o ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), “Perdeu, mané. Não amola”.

O golpismo não é cômico. Pelo contrário, é trágico e pernicioso, e, como toda praga, deve ser extirpado.

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